Jung pode ter deixado um legado
interessante para o avançar da Psicanálise do Século XXI. Suas perspectivas
sobre o Inconsciente Coletivo e sobre seus Arquétipos, trazem as bases para a
aplicabilidade dos atuais conhecimentos da Física Quântica. Quadrantes
são conteúdos adimensionais, resultados que podem ser atingidos desde que se faça algo nesse sentido. Ou seja, não existem no tempo, espaço e matéria.
Porém, apesar de serem conteúdos abstratos, designam o universo quase total
(99% de probabilidades) de ocorrências possíveis, a partir do momento em que o
indivíduo realiza um movimento a partir de seu desejo.
O restante
1% diz respeito às extrapolações fora da curva das possibilidades, algo que
estatisticamente não é relevante, porém, possível de gerar resultados
inesperados, para além da realidade, a gerar saltos quânticos evolutivos, de
tempos em tempos. Tais saltos trazem à tona novos níveis de realidade, ou seja,
novos quadrantes a compor o conjunto do Inconsciente Coletivo de possibilidades
humanas.
Cada um dos
quadrantes existentes e possíveis de serem alcançados, representa a existência
de um arquétipo. Ou seja, todas as realizações humanas da atualidade e do
passado estão ali a indicar caminhos e resultados possíveis de serem
alcançados.
O quadrante
zero, o início de tudo, está no seu nascimento. A partir dele, você já pode
começar a avaliar suas possibilidades, onde poderá chegar, com sua genética,
território, filiação, cultura. Tais dados são pré-determinados a você, pois
precedem a sua existência.
A partir
daí, você avança pelos quadrantes do desenvolvimento humano, adquirindo
competências, capacidades e novas possibilidades. Com o tempo, novos quadrantes
poderão ser atingidos. A cada novo quadrante atingido, novas possibilidades são
abertas ao futuro.
Nesse kaminho
(sentido + karma), existem dois dharmas possíveis: o dharma menor e o dharma
maior. Ambos dizem respeito aos percursos a serem atingidos. No dharma menor, as
pessoas avançam para a realização egoica, comum de suas vidas, na realização
familiar, profissional e existencial comezinha, até atingirem ao seu quadrante
final, sem nada acrescentar ao todo.
No dharma
maior, vai-se além disso, atingindo-se realizações para além de si, cuja concretização
depende de variáveis que vão além do espaço grupal familiar ou profissional, e
exigem a integração do indivíduo a um conjunto humano integrado, onde sorte,
oportunidade e conexões são essenciais a obtenção de resultados existenciais
mais amplos.
Trata-se de uma progressão a
partir a ação e dos esforços pessoais, em direção a algo. Desejo e movimento
impulsionam a vida humana no transcorrer desses quadrantes, com cada pessoa a
escrever sua história da sua maneira e alcance possível.
Ascender ao
dharma maior depende de um chamado, cujo mérito da ocorrência e oportunidade,
muitas vezes, dependem das escolhas feitas para além dos quadrantes básicos
esperados na existência do indivíduo. Tudo o que fez para além de si, tudo o
que plantou de maneira positiva nas leis de maior esforço, acabam por gerar as
chaves para o acesso aos quadrantes do dharma maior.
Destes que
chegam ao dharma maior, poucos são aqueles que, por mérito e por uma conjugação
grandiosa de variáveis, extrapolam a história e acabam por gerar novos
quadrantes da história humana, dentro do 1%.
Neste 1%
estão os gênios da humanidade e todos aqueles que, de maneiras positivas,
conseguiram canalizar as ações humanas e escrever suas próprias histórias, como
contribuições extrapoladoras da realidade que viveram. O acesso a tal nível restrito
de dharma maior pode ser observado em personalidades como São Francisco de
Assis, Madre Tereza de Calcutá, Sigmund Freud, Florence Nightingale, Carl Gustav
Jung, Margaret Thatcher, Winston Churchill, por exemplo.
Tantas outras
pessoas poderiam adentrar a esse rol, porém, o que se deve ter em mente é o
nível das contribuições delas para a humanidade. Suas extrapolações as colocam
como os “alquimistas” dos quadrantes arquetípicos da existência humana, ao
acrescentar novas formas possíveis de se viver e realizar-se, coroando com
méritos até o atingimento do seu terceiro chamado.
As chaves
deste quadrante de extrapolações do 1% sempre estarão disponíveis, porém, a
dificuldade está em que o indivíduo tenha consciência de tais possibilidades e,
uma vez recebido seu chamado, aceite o mister de sua missão kármica, a ser
desempenhado.
Entender e
avaliar a presença dos quadrantes é sair do inconsciente dos arquétipos e fazer
suas escolhas, com base em critérios claros e escolhas conscientes, de onde se
quer ou se pode chegar no longo.
Isto quer
dizer que, se dentro de sua realidade, você conseguir avançar ao nível de 1%
daqueles que estiveram à sua volta por toda a sua vida, terá cumprido sua
missão após o Kaminho.
