domingo, 17 de novembro de 2019

Quadrantes da Missão Após o Caminho


Jung pode ter deixado um legado interessante para o avançar da Psicanálise do Século XXI. Suas perspectivas sobre o Inconsciente Coletivo e sobre seus Arquétipos, trazem as bases para a aplicabilidade dos atuais conhecimentos da Física Quântica. Quadrantes são conteúdos adimensionais, resultados que podem ser atingidos desde que se faça algo nesse sentido. Ou seja, não existem no tempo, espaço e matéria. Porém, apesar de serem conteúdos abstratos, designam o universo quase total (99% de probabilidades) de ocorrências possíveis, a partir do momento em que o indivíduo realiza um movimento a partir de seu desejo.
O restante 1% diz respeito às extrapolações fora da curva das possibilidades, algo que estatisticamente não é relevante, porém, possível de gerar resultados inesperados, para além da realidade, a gerar saltos quânticos evolutivos, de tempos em tempos. Tais saltos trazem à tona novos níveis de realidade, ou seja, novos quadrantes a compor o conjunto do Inconsciente Coletivo de possibilidades humanas.
            Cada um dos quadrantes existentes e possíveis de serem alcançados, representa a existência de um arquétipo. Ou seja, todas as realizações humanas da atualidade e do passado estão ali a indicar caminhos e resultados possíveis de serem alcançados.
            O quadrante zero, o início de tudo, está no seu nascimento. A partir dele, você já pode começar a avaliar suas possibilidades, onde poderá chegar, com sua genética, território, filiação, cultura. Tais dados são pré-determinados a você, pois precedem a sua existência.
            A partir daí, você avança pelos quadrantes do desenvolvimento humano, adquirindo competências, capacidades e novas possibilidades. Com o tempo, novos quadrantes poderão ser atingidos. A cada novo quadrante atingido, novas possibilidades são abertas ao futuro.
            Nesse kaminho (sentido + karma), existem dois dharmas possíveis: o dharma menor e o dharma maior. Ambos dizem respeito aos percursos a serem atingidos. No dharma menor, as pessoas avançam para a realização egoica, comum de suas vidas, na realização familiar, profissional e existencial comezinha, até atingirem ao seu quadrante final, sem nada acrescentar ao todo.
            No dharma maior, vai-se além disso, atingindo-se realizações para além de si, cuja concretização depende de variáveis que vão além do espaço grupal familiar ou profissional, e exigem a integração do indivíduo a um conjunto humano integrado, onde sorte, oportunidade e conexões são essenciais a obtenção de resultados existenciais mais amplos.
Trata-se de uma progressão a partir a ação e dos esforços pessoais, em direção a algo. Desejo e movimento impulsionam a vida humana no transcorrer desses quadrantes, com cada pessoa a escrever sua história da sua maneira e alcance possível.
            Ascender ao dharma maior depende de um chamado, cujo mérito da ocorrência e oportunidade, muitas vezes, dependem das escolhas feitas para além dos quadrantes básicos esperados na existência do indivíduo. Tudo o que fez para além de si, tudo o que plantou de maneira positiva nas leis de maior esforço, acabam por gerar as chaves para o acesso aos quadrantes do dharma maior.
            Destes que chegam ao dharma maior, poucos são aqueles que, por mérito e por uma conjugação grandiosa de variáveis, extrapolam a história e acabam por gerar novos quadrantes da história humana, dentro do 1%.
            Neste 1% estão os gênios da humanidade e todos aqueles que, de maneiras positivas, conseguiram canalizar as ações humanas e escrever suas próprias histórias, como contribuições extrapoladoras da realidade que viveram. O acesso a tal nível restrito de dharma maior pode ser observado em personalidades como São Francisco de Assis, Madre Tereza de Calcutá, Sigmund Freud, Florence Nightingale, Carl Gustav Jung, Margaret Thatcher, Winston Churchill, por exemplo.   
            Tantas outras pessoas poderiam adentrar a esse rol, porém, o que se deve ter em mente é o nível das contribuições delas para a humanidade. Suas extrapolações as colocam como os “alquimistas” dos quadrantes arquetípicos da existência humana, ao acrescentar novas formas possíveis de se viver e realizar-se, coroando com méritos até o atingimento do seu terceiro chamado.
            As chaves deste quadrante de extrapolações do 1% sempre estarão disponíveis, porém, a dificuldade está em que o indivíduo tenha consciência de tais possibilidades e, uma vez recebido seu chamado, aceite o mister de sua missão kármica, a ser desempenhado.
            Entender e avaliar a presença dos quadrantes é sair do inconsciente dos arquétipos e fazer suas escolhas, com base em critérios claros e escolhas conscientes, de onde se quer ou se pode chegar no longo.
            Isto quer dizer que, se dentro de sua realidade, você conseguir avançar ao nível de 1% daqueles que estiveram à sua volta por toda a sua vida, terá cumprido sua missão após o Kaminho.