O silêncio ritual
faz parte da jornada. Ele é requisito para se adentrar ao processo terapêutico
e acessar a Psique do Caminho. Sem o silêncio, não há introspecção e o
aprofundamento em si fica prejudicado.
Por isso, a
primeira das coisas a se fazer quando se inicia a jornada é procurar caminhar
ou pedalar em silêncio. Especialmente se for em grupo, combine para todos
fazerem o mesmo e manterem certa distância física durante a jornada do dia a
dia.
Fora da jornada, reserve
espaço noturno também em isolamento para anotações e reflexões. Evite falar
sobre questões íntimas sobre o que está sentido ou pensando com seus
companheiros de jornada, para não misturar suas elaborações e insights.
Se fizer o caminho
em casal, família ou amigos, estabeleça os momentos de silêncio ritual e os
momentos em que poderão conversar sobre assuntos da jornada. Nesse caso, converse
moderadamente, mas faça isso respeitando o espaço do silêncio dos demais
peregrinos.
Já durante as
paradas, o ideal é abrir a comunicação para conhecer as pessoas e trocar
informações. Muitas vezes, surgem boas amizades com quem se pode compartilhar
boas refeições, visitar as paragens e estabelecer sincronicidades com os demais
peregrinos. Cada qual tem seu
processo individual na jornada, seus assuntos a serem trabalhados e, por isso,
tente ficar a certa distância dos grupos de peregrinos falantes.
Acelere o passo ou
pare um pouco, até que possas retornar ao silêncio e recobrar a introspecção. É
importante que possas mentalizar-se com os sons advindos da natureza, dos
passarinhos, do vento e das trilhas de água.
Em épocas de grande
fluxo, leve seu fone de ouvido e coloque músicas inspiradoras para caminhar,
clássicas, isso ajuda a relaxar e a desconectar de quem está à sua volta.
Todavia, não escolha músicas que tenham ligação com pessoas, músicos atuais ou
em rádios. Não é hora de ficar conectado ao mundo real. É hora de introspecção.
Utilizar-se dessa
técnica será um desafio para quem está acostumado a nunca ficar em silêncio.
Por isso, tenha em mente o foco no processo terapêutico em curso. Você estará
sozinho por opção consciente de aprofundar suas questões pessoais, que o
levaram a responder esse chamado de busca existencial e espiritual.
Quem está em busca
de individuação, deve aprender a ficar bem sozinho. Falar demais e ter
necessidade de falar sempre, um indício de que precisa trabalhar esse nível de
carência existencial.
Várias religiões utilizam-se do silêncio enquanto técnica
de contemplação e de aprofundamento espiritual. Falar
incessantemente pode ser um mecanismo de defesa do ego e serve para suavizar a
tensão interna, porém, vai dificultar sua imersão na Psique do Caminho. Outrossim,
não se deve puxar conversa com quem estiver em silêncio e focado introspectivamente
em si.
Em síntese a
contemplação ritualística proporcionada pelo silêncio permitirá que sua alma
inconsciente aflore. Ao aflorar, inicia-se a individuação. Processo no qual,
segundo Jung, o indivíduo avança em seu centramento do self, enfrenta suas
sombras em busca de novas formas de reconfiguração existencial.