Muitas pessoas não se dão conta, mas o Caminho de Santiago,
enquanto missão espiritual, pode vir a significar o seu ritual final de
passagem. Mas não fique com medo de morrer no Caminho de Santiago de
Compostela. São milhares de peregrinos todos os anos a concluir sua jornada,
sãos e salvos.
| Local especial onde sinalizamos a partida de um ente querido no Brasil, logo quando estávamos fazendo o Caminho. |
Significa que o chamado foi especificamente realizado para
coroar de méritos e permitir, ao final da vida, que a passagem espiritual
ocorresse ali, naturalmente naquelas trilhas espiritualizadas. Logo, este tópico faz parte da conscientização necessária a
todos aqueles que receberam o chamado e estão a se preparar para a jornada ao
Caminho.
Faça sua preparação levando em consideração essa possível ocorrência,
porém, sem medo ou receio sobre ela. As estatísticas são a favor da vida. Não
se preocupe além do essencial. Na verdade, esse assunto deve fazer parte da própria
simbologia do que é a Psique do Caminho de Santiago: um ritual de passagem e
renascimento espiritual. Reflita sobre isso: morrer e renascer. Quem recebe o chamado
é convidado à Fênix do destino. Logo, quando aceita o desafio, sabe que irá
renascer ao seu final.
Porém, preventivamente, ao se preparar este desafio existencial, a dica então é a de fazer seu testamento vital e levar consigo. O que é isto? Trata-se de um documento escrito (ou impresso) e assinado ao seu final, onde o peregrino deixa claro suas determinações, em caso de término da vida.
Leve consigo este documento, se possível, traduzido ao
Espanhol e Inglês. Nele, coloque seu nome e dados pessoas, assim como
informações de contato de seus familiares. Determine os procedimentos esperados em caso de acidente ou
de falecimento natural no Caminho de Santiago de Compostela. Uma das hipóteses a ser avaliadas pelo peregrino, está na
cremação e disposição das cinzas pelo trajeto, ou no pedido para ser enterrado
em cemitérios próximos.
O assunto pode não ser agradável a pessoas sensíveis, mas é hora de vencer a
“tanatofobia” (medo da morte) e enfrentar a temática, com a coragem necessária
a quem vai responder o chamado e encarar o Caminho de Santiago. Para os familiares, cabe a sugestão de que, se a
sincronicidade colocou algum parente seu no Caminho, respeite a vontade dele
estabelecida em testamento vital.
Ou seja, se o peregrino pediu para ser cremado ou enterrado e
por lá ficar, não o desrespeite e não requeira que o traga ao Brasil. Isto
seria uma quebra com a autonomia espiritual de seu ente querido e contra o fato
de que, ele e o Caminho agora passaram a ser uno.
Como já visto, a morte é algo inerente ao ciclo natural da
vida. Sua Fênix deve servir de confiança de que na Psique do Caminho sempre
haverá um sentido a tudo.