quarta-feira, 5 de setembro de 2018

A Partida no Caminho


Muitas pessoas não se dão conta, mas o Caminho de Santiago, enquanto missão espiritual, pode vir a significar o seu ritual final de passagem. Mas não fique com medo de morrer no Caminho de Santiago de Compostela. São milhares de peregrinos todos os anos a concluir sua jornada, sãos e salvos.
Local especial onde sinalizamos a partida de um ente querido no Brasil,
logo quando estávamos fazendo o Caminho.
São raros os casos de morte natural de peregrinos durante a jornada, onde o Caminho significa a jornada final de uma vida. Todavia, isto não significaria espiritualmente um demérito, muito pelo contrário, uma morte natural nos senderos a Santiago seria uma condecoração espiritual.

Significa que o chamado foi especificamente realizado para coroar de méritos e permitir, ao final da vida, que a passagem espiritual ocorresse ali, naturalmente naquelas trilhas espiritualizadas. Logo, este tópico faz parte da conscientização necessária a todos aqueles que receberam o chamado e estão a se preparar para a jornada ao Caminho.

Faça sua preparação levando em consideração essa possível ocorrência, porém, sem medo ou receio sobre ela. As estatísticas são a favor da vida. Não se preocupe além do essencial. Na verdade, esse assunto deve fazer parte da própria simbologia do que é a Psique do Caminho de Santiago: um ritual de passagem e renascimento espiritual. Reflita sobre isso: morrer e renascer. Quem recebe o chamado é convidado à Fênix do destino. Logo, quando aceita o desafio, sabe que irá renascer ao seu final. 

Porém, preventivamente, ao se preparar este desafio existencial, a dica então é a de fazer seu testamento vital e levar consigo. O que é isto? Trata-se de um documento escrito (ou impresso) e assinado ao seu final, onde o peregrino deixa claro suas determinações, em caso de término da vida.

Leve consigo este documento, se possível, traduzido ao Espanhol e Inglês. Nele, coloque seu nome e dados pessoas, assim como informações de contato de seus familiares. Determine os procedimentos esperados em caso de acidente ou de falecimento natural no Caminho de Santiago de Compostela. Uma das hipóteses a ser avaliadas pelo peregrino, está na cremação e disposição das cinzas pelo trajeto, ou no pedido para ser enterrado em cemitérios próximos.

O assunto pode não ser agradável a pessoas sensíveis, mas é hora de vencer a “tanatofobia” (medo da morte) e enfrentar a temática, com a coragem necessária a quem vai responder o chamado e encarar o Caminho de Santiago. Para os familiares, cabe a sugestão de que, se a sincronicidade colocou algum parente seu no Caminho, respeite a vontade dele estabelecida em testamento vital.

Ou seja, se o peregrino pediu para ser cremado ou enterrado e por lá ficar, não o desrespeite e não requeira que o traga ao Brasil. Isto seria uma quebra com a autonomia espiritual de seu ente querido e contra o fato de que, ele e o Caminho agora passaram a ser uno.


Como já visto, a morte é algo inerente ao ciclo natural da vida. Sua Fênix deve servir de confiança de que na Psique do Caminho sempre haverá um sentido a tudo.