São quatro os
símbolos existentes no Caminho de Santiago e que representam o arquétipo ou a
Psique do Caminho, associados automaticamente à jornada. O
primeiro deles é a seta amarela. Ela é a indicação da existência do Caminho.
Por mais que indique a sequência certa a seguir, em certos casos, ela
apresentará derivações, entre vias principais e alternativas.
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| Mochila e os bastões cruzados representam a Ordem do Caminho |
Em todas
circunstâncias, assim como na vida, todos os caminhos são certos. O que mudam
são as opções de seguir essa ou aquela rota. Todas levam ao mesmo lugar ao
final e, mesmo que uma seja mais longa que a outra, as aprendizagens e desafios
estarão presente em ambas.
Você até poderá
ignorar as setas amarelas e até seguir pelas estradas principais, por exemplo,
em um dia de intensa chuva ou quando estiver cansado, mas poderá retornar à
trilha das setas amarelas assim que decidir.
Analogicamente à existência,
todos buscam uma direção certa a seguir. Nesse sentido, toda vez que há um
caminho traçado, a vida fica mais fácil de ser galgada, passo a passo até se
chegar ao objetivo programado.
Pensar sobre a
direção certa de seu caminho após terminar a jornada é uma das tarefas
presentes na Psique do Caminho e ela está simbolizada nas setas amarelas.
Até mesmo antes da
jornada, quem recebeu o chamado ao Caminho, já terá vivências e insights sobre
a importância das direções adotadas na vida. Tudo tem um fluxo e todo fluxo
segue uma direção de realizações. Medite sobre isto, caso tenha a pretensão de
futuramente experenciar a saga do Caminho de Santiago em sua vida.
O segundo dos
símbolos do caminho é a concha, a qual serve como identificação espiritual do
peregrino. Surgiu na idade média como significado de proteção ao peregrino durante
sua ida, e também como forma de comprovação do cumprimento de sua jornada de
retorno de Finesterra (para os que avançam sua jornada para além de Santiago).
Hoje se pode
comprar conchas de plástico barato em qualquer bodega do Caminho, mas nem por
isso elas perdem sua simbologia de pertencimento à jornada.
O importante sobre
a concha não é ela estar presa na sua mochila, essa é somente uma representação
visual. Sua representação arquetípica está no acesso à introspecção, à face “ying”
(feminina) da psique humana em contrato com o solo sagrado a ser percorrido, na
visão de um retorno à essência, ao local de partida da vida.
Na prática, sua
força será sentida durante toda a jornada, com a reconexão do peregrino às
energias imanentes da natureza a sua volta, ao “Gaia”, a representar a “Mãe Terra”. Trata-se de uma conexão
aos sentidos do morrer e renascer possibilitados a parte da noção de que partir
e chegar são essencialmente um ciclo contínuo do Cosmos.
Aqui
há que se intuir sobre a reflexão de como se existir neste planeta, do seu papel
e de como se retribuir com gratidão e proteger a quem lhe abriga nesta missão.
O terceiro símbolo
do caminho é o bastão, a indicar a força “yang” do Caminho, enquanto desforço físico
necessário a mover a vida. O bastão é o auxílio do corpo, a transformar energia
muscular em impulso, na medida exata para mover à frente o peregrino, nos
desafios diários da longa jornada pela frente.
O simbolismo do bastão
demonstra que, toda o movimento humano requer de certa agressividade comedida para
seguir em frente. Entretanto, não se deve confundir essa ação com violência, que
é seu excesso, cuja sintomática indica uma perda do controle da razão.
De outro polo, a completa
anulação da energia “yang” implicaria na depressão, na perda do impulso à frente.
Trata-se de manter acessa a chama da vida, os impulsos essenciais ao desejar e ao
viver, enquanto os sonhos e as motivações íntimas de avançar sempre.
Quando ausente ou em
excesso, em depressão ou em violência, nota-se um conflito no desbalanceamento das
forças “yang”, perante as forças “ying” de seu ser.
Portanto, deves utilizar
o Caminho para uma introspeção do equilíbrio essencial dessas forças básicas da
vida. Toda vez que o bastão tocar ao solo, em sua jornada, estará provocando uma
conexão dessas forças e terá um campo de introspeções aberto.
Utilize com consciência
tais símbolos do Caminho, sem desdenhar de sua força arquetípica a partir de um
materialismo ceticista, ou estará a bloquear as possibilidades psíquicas de sua
jornada.
Por último, um dos
símbolos mais pessoais da caminhada será a sua mochila escolhida. Sua presença
se dá em quase todos os peregrinos, porém, em cada qual ela terá a representação
exata de cada personalidade.
A mochila simboliza
o apego/desapego. Ou seja, a capacidade individual de escolher e levar consigo aquilo
que é deverás importante para si. Em geral, peregrinos de primeira jornada tendem
a se arrepender de itens elegidos a sua mochila ou até mesmo sobre o modelo escolhido.
Será processo psíquico
inerente ao desgaste físico da jornada uma reavaliação dos pesos indevidos carregados
e que poderiam ser evitados. Alguns até irão descartar coisas pelo Caminho. Outros,
despachar suas bagagens de parada a parada, com alívio emocional.
