Quem termina o Caminho de Santiago atinge o regozijo dos
vencedores da jornada. Trata-se de um misto de euforia, contentamento, alegria,
um verdadeiro senso de missão cumprida. Essa
sensação inicial é seguida de um contínuo de sensações e percepções que levaram
o peregrino a querer mais, a buscar seguir em sua aventura.
É nesse sentido, que muitos continuam sua jornada ainda por mais alguns dias, avançam desde Santiago de Compostela até Fisterra (Finesterre ou Finesterra).
Ao
chegar lá, alguns avançar até a ponta máxima do penhasco, ao final, final das
pedras, de onde não se pode mais avançar. Ali o mar coloca uma barreira física
intransponível, da qual não se pode avançar.
Chega-se
então ao final da jornada física, dos dias de caminhada ou de pedal. Será a
hora de retornar, de encerrar a aventura. Para
muitos, termina ali a sua conexão consciente com a Psique do Caminho. Mesmo sem
saber o que se passa nos planos inconscientes (individual e coletivo), o
processo terapêutico de sua conexão ao Caminho ainda estará em curso,
independente do retorno aos seus lares.
Nos
dias, meses e anos seguintes, tais peregrinos ainda continuarão a ser tocados
pela Psique do Caminho. Alguns terão “flashbacks” da jornada, algum tipo de
saudosismo ou satisfação, a acalentar seus dias futuros.
Para
outros, o chamado ainda persistirá, com o desejo de retornar e refazer a
peregrinação. Tal como se fosse um vício, há pessoas que retornam por vezes
consecutivas a peregrinar, ano a ano. Mas
o que pode acontecer inconscientemente com os peregrinos após sua jornada? Será
que agora, algo deles será esperado, quando do retorno de sua aventura? Existiria
algo a mais a ser atingido em vida, por todos aqueles agraciados com o chamado ao
Caminho?
Responder
a essas questões é o objetivo dessa nova obra sobre o Caminho de Santiago, que
buscará o descrever que a Psique do Caminho reserva ao futuro. Para
tanto, dentro da psicanálise junguiana, nossa pista inicial será o entendimento
do arquétipo do herói, sua busca de sentido existencial e porque o peregrino
não deve desperdiçar a oportunidade evolutiva à sua frente.