sexta-feira, 3 de maio de 2019

À Guisa do Dia a Seguir


Quem termina o Caminho de Santiago atinge o regozijo dos vencedores da jornada. Trata-se de um misto de euforia, contentamento, alegria, um verdadeiro senso de missão cumprida.  Essa sensação inicial é seguida de um contínuo de sensações e percepções que levaram o peregrino a querer mais, a buscar seguir em sua aventura.

É nesse sentido, que muitos continuam sua jornada ainda por mais alguns dias, avançam desde Santiago de Compostela até Fisterra (Finesterre ou Finesterra).

Ao chegar lá, alguns avançar até a ponta máxima do penhasco, ao final, final das pedras, de onde não se pode mais avançar. Ali o mar coloca uma barreira física intransponível, da qual não se pode avançar.

Chega-se então ao final da jornada física, dos dias de caminhada ou de pedal. Será a hora de retornar, de encerrar a aventura. Para muitos, termina ali a sua conexão consciente com a Psique do Caminho. Mesmo sem saber o que se passa nos planos inconscientes (individual e coletivo), o processo terapêutico de sua conexão ao Caminho ainda estará em curso, independente do retorno aos seus lares.

Nos dias, meses e anos seguintes, tais peregrinos ainda continuarão a ser tocados pela Psique do Caminho. Alguns terão “flashbacks” da jornada, algum tipo de saudosismo ou satisfação, a acalentar seus dias futuros.

Para outros, o chamado ainda persistirá, com o desejo de retornar e refazer a peregrinação. Tal como se fosse um vício, há pessoas que retornam por vezes consecutivas a peregrinar, ano a ano. Mas o que pode acontecer inconscientemente com os peregrinos após sua jornada? Será que agora, algo deles será esperado, quando do retorno de sua aventura? Existiria algo a mais a ser atingido em vida, por todos aqueles agraciados com o chamado ao Caminho?

Responder a essas questões é o objetivo dessa nova obra sobre o Caminho de Santiago, que buscará o descrever que a Psique do Caminho reserva ao futuro. Para tanto, dentro da psicanálise junguiana, nossa pista inicial será o entendimento do arquétipo do herói, sua busca de sentido existencial e porque o peregrino não deve desperdiçar a oportunidade evolutiva à sua frente.