quinta-feira, 7 de março de 2019

Tanatofobia


Parece algo paradoxal, mas quanto mais medo inconsciente da morte se tem, menos experiências se vive. O medo da morte (tanatofobia) faz a pessoa buscar segurança e cercar-se de neuroses inconscientes. Ou seja, quem tem medo da morte vive em constante receio da vida e, portanto, deixa de se focar nas oportunidades e realizações necessárias de sua missão. 

Por outro lado, quem encara a morte como algo natural, sem medo, liberta-se à vida, a viver com intensidade possível ao seu ser, pois sabe que o importante é aproveitar ao máximo cada dia, cada momento dessa maravilhosa jornada do existir.

Enquanto medo fundamental, a tanatofobia tem sua função essencial de autopreservar a incolumidade do indivíduo. Fora isso, não se vive mais nas cavernas e a longevidade cada vez mais aumenta e cada vez mais, a vida pode ser guiada às realizações de grande valia.

Especialmente em países desenvolvidos, a grau de qualidade de vida, medido pelo alto IDH (índice que congrega, longevidade, escolaridade e renda), permite verificar uma superação do medo da morte cada vez mais acentuada.

Nesses países, observa-se que a população, escolarizada e economicamente estabilizada, reduz o número de filhos enquanto aumente suas realizações. Em países menos desenvolvidos, observa-se o contrário, o apego à filiação e à luta pela sobrevivência material, demonstra uma demanda ainda maior de proteção e segurança em face dos riscos do viver.

Superar o medo da morte implica em libertar-se de várias prisões, dentre elas, a manutenção de relações humanas improdutivas, somente pela necessidade de proteção ou medo da solidão. É uma crença achar que se cercar de neuroses de segurança irá impedir um dia, a morte. Logo, há que se valorizar o dia, a vida, o presente, o tempo útil, o tempo em que as potenciais físicas estão presentes e permitem usufruir dos vigores e das oportunidades do Caminho.

Esses são paradoxos existenciais, entre aqueles que tem o medo de seu enfrentamento e aqueles que se abrem e constroem sua própria história de caminhada.