Parece algo
paradoxal, mas quanto mais medo inconsciente da morte se tem, menos
experiências se vive. O medo da morte (tanatofobia) faz a pessoa buscar
segurança e cercar-se de neuroses inconscientes. Ou seja, quem tem
medo da morte vive em constante receio da vida e, portanto, deixa de se focar
nas oportunidades e realizações necessárias de sua missão.
Por outro lado,
quem encara a morte como algo natural, sem medo, liberta-se à vida, a viver com
intensidade possível ao seu ser, pois sabe que o importante é aproveitar ao
máximo cada dia, cada momento dessa maravilhosa jornada do existir.
Enquanto medo
fundamental, a tanatofobia tem sua função essencial de autopreservar a
incolumidade do indivíduo. Fora isso, não se vive mais nas cavernas e a
longevidade cada vez mais aumenta e cada vez mais, a vida pode ser guiada às
realizações de grande valia.
Especialmente em
países desenvolvidos, a grau de qualidade de vida, medido pelo alto IDH (índice
que congrega, longevidade, escolaridade e renda), permite verificar uma
superação do medo da morte cada vez mais acentuada.
Nesses países, observa-se
que a população, escolarizada e economicamente estabilizada, reduz o número de
filhos enquanto aumente suas realizações. Em países menos
desenvolvidos, observa-se o contrário, o apego à filiação e à luta pela
sobrevivência material, demonstra uma demanda ainda maior de proteção e segurança
em face dos riscos do viver.
Superar o medo da
morte implica em libertar-se de várias prisões, dentre elas, a manutenção de
relações humanas improdutivas, somente pela necessidade de proteção ou medo da
solidão. É uma crença achar
que se cercar de neuroses de segurança irá impedir um dia, a morte. Logo, há
que se valorizar o dia, a vida, o presente, o tempo útil, o tempo em que as
potenciais físicas estão presentes e permitem usufruir dos vigores e das
oportunidades do Caminho.
Esses são paradoxos
existenciais, entre aqueles que tem o medo de seu enfrentamento e aqueles que
se abrem e constroem sua própria história de caminhada.