Em termos de
roteiros de azaração e realização sexual, existem outras opções turísticas bem
mais interessantes. Portanto, se sua pretensão individual é ter experiências
sexuais líquidas e variadas enquanto caminha, a recomendação é procurar outro
roteiro na Espanha, que tal Ibiza ou Ilhas Canárias?
Isso não quer dizer
que você deva fazer voto de castidade no transcorrer do Caminho! Mas deves
aproveitar a oportunidade para uma introspecção afetiva e refletir sobre suas
escolhas pulsionais. Do ponto de vista
freudiano, sexo é uma pulsão de vida, de origem instintiva, cuja canalização
libidinal das energias psíquicas, que envolve a descarga das tensões, visando o
equilíbrio psíquico do indivíduo pelo prazer.
De um lado, sua
ausência total, deve ser algo a ser refletivo. Castidade, religiosa ou não,
representa um tipo de castração afetiva, a ser superada, em termos de seus
efeitos na sua qualidade de vida e qualidade dos relacionamentos afetivos.
Por outro lado, toda
promiscuidade sexual é um sintoma de uma pulsão destrutiva, quando sua
ocorrência o transforma em algo compulsivo e viciante. O indivíduo torna-se um
mero buscador de experiências superficiais e líquidas, de maneira insaciável.
Portanto,
sexualidade, se por um lado, é algo inerente a vida afetiva, essencial ao
equilíbrio pessoal, do outro, seu excesso pode denotar uma pulsão destruidora,
com etiologias perversas variadas. Como é um tema
essencial da vida, não há como se escapar de sua tratativa durante o Caminho e,
uma vez que não há idade ou restrições ao assunto na jornada.
Há que se levar em
consideração, que a sexualidade é um dos elementos de conexão não só instintiva
dos casais, mas também emocional, mental e transcendental de ambos, a envolver sua
satisfação e felicidade.
Para tanto, deve
ser considerado como algo especial, a ser vivido em condições adequadas, a ser
realizado somente com quem se estabeleça uma conexão existencial, para além da
instintividade.
Entender isso, é
ressignificar a sexualidade e sua importância, para além da liquidez
instintiva, uma oitava acima da normalidade comezinha.
Tratar a
sexualidade enquanto algo transcendental, especial, leva à melhor escolha dos
parceiros e dos momentos em que se possa vivenciado esse ritual de união etérea
(bioenergética) do plano físico, orgânico, com o metafísico, espiritual.
Nesse ponto, a
Psique do Caminho também serve a um repensar da sexualidade, para se buscar uma
forma de se expressar a existência humana com prazer e pulsão de vida. Daí a
necessidade de aproveitar o Caminho a se refletir sobre suas opções e na forma
como se vivencia sua afetividade sadia.
Uma dica final: se
você chegar a um albergue e perceber que o clima está mais para sexo do que
para reflexão, mude de local para outro mais introspectivo. Não vale a pena
ficar ali, pois isso vai tirar o foco e colocar no seu lugar a instintividade e
ativar sua carência afetiva. Geralmente em cidades maiores da jornada, em meses
de férias na Europa, fique atento a essa “vibe”.