quinta-feira, 7 de março de 2019

Sexo no Caminho


Em termos de roteiros de azaração e realização sexual, existem outras opções turísticas bem mais interessantes. Portanto, se sua pretensão individual é ter experiências sexuais líquidas e variadas enquanto caminha, a recomendação é procurar outro roteiro na Espanha, que tal Ibiza ou Ilhas Canárias?
Isso não quer dizer que você deva fazer voto de castidade no transcorrer do Caminho! Mas deves aproveitar a oportunidade para uma introspecção afetiva e refletir sobre suas escolhas pulsionais. Do ponto de vista freudiano, sexo é uma pulsão de vida, de origem instintiva, cuja canalização libidinal das energias psíquicas, que envolve a descarga das tensões, visando o equilíbrio psíquico do indivíduo pelo prazer.

De um lado, sua ausência total, deve ser algo a ser refletivo. Castidade, religiosa ou não, representa um tipo de castração afetiva, a ser superada, em termos de seus efeitos na sua qualidade de vida e qualidade dos relacionamentos afetivos. 

Por outro lado, toda promiscuidade sexual é um sintoma de uma pulsão destrutiva, quando sua ocorrência o transforma em algo compulsivo e viciante. O indivíduo torna-se um mero buscador de experiências superficiais e líquidas, de maneira insaciável.

Portanto, sexualidade, se por um lado, é algo inerente a vida afetiva, essencial ao equilíbrio pessoal, do outro, seu excesso pode denotar uma pulsão destruidora, com etiologias perversas variadas. Como é um tema essencial da vida, não há como se escapar de sua tratativa durante o Caminho e, uma vez que não há idade ou restrições ao assunto na jornada.

Há que se levar em consideração, que a sexualidade é um dos elementos de conexão não só instintiva dos casais, mas também emocional, mental e transcendental de ambos, a envolver sua satisfação e felicidade. 

Para tanto, deve ser considerado como algo especial, a ser vivido em condições adequadas, a ser realizado somente com quem se estabeleça uma conexão existencial, para além da instintividade. 
Entender isso, é ressignificar a sexualidade e sua importância, para além da liquidez instintiva, uma oitava acima da normalidade comezinha.

Tratar a sexualidade enquanto algo transcendental, especial, leva à melhor escolha dos parceiros e dos momentos em que se possa vivenciado esse ritual de união etérea (bioenergética) do plano físico, orgânico, com o metafísico, espiritual.

Nesse ponto, a Psique do Caminho também serve a um repensar da sexualidade, para se buscar uma forma de se expressar a existência humana com prazer e pulsão de vida. Daí a necessidade de aproveitar o Caminho a se refletir sobre suas opções e na forma como se vivencia sua afetividade sadia.

Uma dica final: se você chegar a um albergue e perceber que o clima está mais para sexo do que para reflexão, mude de local para outro mais introspectivo. Não vale a pena ficar ali, pois isso vai tirar o foco e colocar no seu lugar a instintividade e ativar sua carência afetiva. Geralmente em cidades maiores da jornada, em meses de férias na Europa, fique atento a essa “vibe”.