Qual tipo de
pessoas você evoca para a sua vida e qual é o resultado dos afetos formados no
tempo?
Para Jung, o afeto,
acima de tudo, é uma sincronicidade de almas, de inconscientes individuais que
se comunicam no inconsciente coletivo humano, cujo encontro resultará em aprendizagens
recíprocas.
Tais aprendizagens
recíprocas vão além dos planos conscientes, materiais e familiares, revelando
demandas existenciais de crescimento, por vezes não entendidas durante a
ocorrência da sincronicidade que os uniu.
É muito comum, como
dizia Freud, buscar um relacionamento à imagem de uma experiência passada.
Reviver uma emoção similar em outros moldes daquilo que já foi vivido.
Continuar uma história que não terminou.
Isso tudo é uma
constatação de que toda relação amorosa é um contínuo dos amores acumulados no
passado, uma construção de sua própria história de amor. Por isso que amar é
permitir-se uma transmutação mística no contínuo de sua jornada existencial, ao
juntar sincronicamente inconscientes individuais que se demandam, atraem-se e
ajudam-se em determinado momento de suas histórias, sem que se sabia muito bem
ao certo todos os sincronismos dessa conexão.
Se tudo gira no
plano integrativo do inconsciente coletivo humano, um grande afeto poderia
surgir no Caminho de Santiago da Compostela? Sim, tudo é possível.
Porém, não vá ao Caminho focado em viver uma experiência amorosa. Isso tira de
foco seu processo de centramento individual e pode até servir como mecanismo de
fuga do processo.
Fique aberto à
comunicação, mas sempre com foco às boas amizades do Caminho e, se algo for
realmente importante, um encontro valoroso de almas, isso irá abrir portas ao
futuro. Apesar de não haver
uma mística do amor no arquétipo do Caminho de Santiago de Compostela, isso não
a exclui de sua jornada personalíssima, a partir de suas próprias
sincronicidades a serem vividas na jornada.