quinta-feira, 7 de março de 2019

Quando retornar ao Caminho?


A transmutação ocorrida por quem faz o Caminho é um processo transformativo de curto, médio e longo prazo. Dar tempo ao tempo, amadurecer as aprendizagens, visando sua aplicação à vida cotidiana, é tão essencial como foi a jornada vivenciada.
Quem já concluir a peregrinação e passa a pertencer à Ordem do Caminho, nunca mais se afasta espiritualmente de sua Psique. Pode até não mais voltar ao Caminho, mas estará ainda ligado à sua essência, mesmo que decida ser essa a sua única experiência.

Não é incomum terminar a jornada, ao chegar na Catedral de Santiago de Compostela, e logo desejar uma nova aventura por ali. Isso sem falar naqueles que acabam por estender suas jornadas até Finesterra.

Quem sente esse gostinho de “quero mais”, estará a identificar um novo chamado da Psique do Caminho. Como se a jornada pelo Caminho não tivesse fim, pois não há realmente um término, mas sim, um refluxo contínuo do processo arquetípico em curso.

Porém, o ideal é retornar à vida cotidiana, colocar em prática as mudanças de sua vida e manter em aberto a próxima oportunidade de vivenciar o Caminho. O que você poderá fazer desde logo, é iniciar sua atuação enquanto Guardião do Caminho, da maneira que lhe for possível ajudar. Filie-se a uma associação, inicie um blog, divulgue o Caminho em sua cidade.

Como o processo da Psique do Caminho tende a acompanhar o peregrino em seu retorno, de maneira consciente e inconsciente, o sugerido é estabelecer um recesso terapêutico de um ano, antes de retornar.

Isso é essencial para que seu inconsciente processe as mudanças advindas da jornada e possa se assentar em novos patamares de realização existencial, de individuação e de acomodação das relações pessoais e profissionais. 

Há que se evitar qualquer tipo de alienação possível de ocorrer nesta hora, especialmente quando o retorno à vida cotidiana passa a exigir que reassuma suas responsabilidades e querer voltar ao Caminho possa configurar uma “fuga da realidade”.

Por isso, um ano parecer ser o prazo mínimo e razoável a se pensar em retornar ao Caminho. Por outro lado, não existe prazo máximo a esse retorno. Há pessoas que somente após décadas sentem novamente o chamado. Cada um no seu tempo e nas suas demandas.

Pensar sobre isso prematuramente poderá ser uma forma de sabotar suas possibilidades de responder novamente ao chamado do Caminho. Ansiedade não ressona com a Psique do Caminho, onde tudo é assentado em bases sólidas e milenares, com uma velocidade cadenciada em ondas.

Se recebeste o chamado e conseguiste cumpri-lo, no seu tempo (meses, anos, décadas), qual a pressa em retornar ao Caminho? Dê tempo ao tempo, tenha atenção à sua dinâmica de vida e como ela irá novamente colocar você em compasso com caminho. 

Logo, foque-se sempre no presente e no imediatamente a seguir. O que está por vir, no longo prazo, deve ficar por lá. Só depois de concluir sua jornada, retornar e reassumir sua vida é que saberás da viabilidade de novos chamados, para esse ou para outros Caminhos.