A transmutação
ocorrida por quem faz o Caminho é um processo transformativo de curto, médio e
longo prazo. Dar tempo ao tempo, amadurecer as aprendizagens, visando sua
aplicação à vida cotidiana, é tão essencial como foi a jornada vivenciada.
Quem já concluir a
peregrinação e passa a pertencer à Ordem do Caminho, nunca mais se afasta
espiritualmente de sua Psique. Pode até não mais voltar ao Caminho, mas estará
ainda ligado à sua essência, mesmo que decida ser essa a sua única experiência.
Não é incomum
terminar a jornada, ao chegar na Catedral de Santiago de Compostela, e logo
desejar uma nova aventura por ali. Isso sem falar naqueles que acabam por
estender suas jornadas até Finesterra.
Quem sente esse
gostinho de “quero mais”, estará a identificar um novo chamado da Psique do
Caminho. Como se a jornada pelo Caminho não tivesse fim, pois não há realmente
um término, mas sim, um refluxo contínuo do processo arquetípico em curso.
Porém, o ideal é
retornar à vida cotidiana, colocar em prática as mudanças de sua vida e manter
em aberto a próxima oportunidade de vivenciar o Caminho. O que você poderá
fazer desde logo, é iniciar sua atuação enquanto Guardião do Caminho, da
maneira que lhe for possível ajudar. Filie-se a uma associação, inicie um blog,
divulgue o Caminho em sua cidade.
Como o processo da
Psique do Caminho tende a acompanhar o peregrino em seu retorno, de maneira
consciente e inconsciente, o sugerido é estabelecer um recesso terapêutico de
um ano, antes de retornar.
Isso é essencial para
que seu inconsciente processe as mudanças advindas da jornada e possa se
assentar em novos patamares de realização existencial, de individuação e de
acomodação das relações pessoais e profissionais.
Há
que se evitar qualquer tipo de alienação possível de ocorrer nesta hora,
especialmente quando o retorno à vida cotidiana passa a exigir que reassuma
suas responsabilidades e querer voltar ao Caminho possa configurar uma “fuga da
realidade”.
Por isso, um ano
parecer ser o prazo mínimo e razoável a se pensar em retornar ao Caminho. Por
outro lado, não existe prazo máximo a esse retorno. Há pessoas que somente após
décadas sentem novamente o chamado. Cada um no seu tempo e nas suas demandas.
Pensar sobre isso prematuramente
poderá ser uma forma de sabotar suas possibilidades de responder novamente ao
chamado do Caminho. Ansiedade não ressona com a Psique do Caminho, onde tudo é
assentado em bases sólidas e milenares, com uma velocidade cadenciada em ondas.
Se recebeste o
chamado e conseguiste cumpri-lo, no seu tempo (meses, anos, décadas), qual a
pressa em retornar ao Caminho? Dê tempo ao tempo, tenha atenção à sua dinâmica
de vida e como ela irá novamente colocar você em compasso com caminho.
Logo, foque-se
sempre no presente e no imediatamente a seguir. O que está por vir, no longo
prazo, deve ficar por lá. Só depois de concluir sua jornada, retornar e
reassumir sua vida é que saberás da viabilidade de novos chamados, para esse ou
para outros Caminhos.