sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

A Ordem do Caminho

É difícil imaginar no planeta outro local onde as pessoas de diferentes culturas, possam, de maneira livre e segura, vivenciar um processo espiritual e existencial dessa intensidade, duração e magnitude, irmanados em paz. Daí o cerne de transmutação fraterna do mundo, presente na Psique do Caminho.
A palavra “ordem” pode ter vários significados e cada um deles levar a um entendimento diverso. Ordem pode ser tanto a organização, a estruturação de algo, suas regras e possibilidades, quanto, por outro lado, significar um grupamento humano, voltado a arregimentar determinado interesse e atividade.

No primeiro sentido, é claro que o Caminho de Santiago de Compostela possui uma ordem estabelecida. Há trilhas milenares organizadas e sequenciadas, com indicações de progresso. Seguir essa ordem é necessário para se cumprir a jornada, conforme o relevo, visando avançar os territórios.

Uma vez que se saia dessa ordem, poderá não só errar o caminho, mas ir por opções insatisfatórias, como o acostamento de estradas, cujo direcionamento é o mesmo que a trilha, todavia, desinteressante de ser percorrido.

Noutro sentido, ordem pode ser o conjunto de regras de conduta a ser seguida pelo peregrino. Não há um código de conduta claro estabelecido. Há apenas orientações: a) ciclistas devem respeitar a preferencial dos caminhantes; b) recolher todo o lixo gerado no Caminho; c) respeitar o espaço dos demais peregrinos em suas necessidades e ritmo de jornada; d) manter limpos os albergues por onde passar, colaborando com o serviço voluntário daqueles que os mantém; e) não destruir o ambiente das trilhas, nem vandalizar setas indicativas; f) não se locupletar dos peregrinos ou de quem os ajuda; h) respeitar o silêncio e a introspecção alheia.

Do ponto de vista do grupamento humano, a ordem é caracterizada a partir da noção de que todo o peregrino que conclui a jornada, passa a compor, no Inconsciente Coletivo, o rol de peregrinos do Caminho.

Sua experiência passará a compor a Psique do Caminho da maneira que, todos os seus passos, pedaladas, pensamentos, sentimentos e energias, emanados, são agora componentes do seu todo. De maneira intangível, cada ser humano que viveu o chamado do Caminho, passa a ser membro dessa Ordem imaterial do Universo, sem qualquer necessidade de ser aceito ou credenciado ou filiado para tanto.

Isso não lhe atribuí um benefício fático, material ou de qualquer tipo de superioridade, apenas o coloca irmanado aos demais peregrinos, ao ponto de conexão com aqueles que buscaram e aos que buscarão um sentido a maior nesta experiência humana.

Poderíamos, enfim, falar dos deveres de quem adentra a esta Ordem imaterial. Dentre eles, o de honrar o Caminho, sua história, procurando sempre defender sua existência, sua preservação e divulgação correta.

Outro dever é o de assumir sua responsabilidade terrena pelo O MELHOR DE TUDO, O MELHOR PARA TODOS. Ninguém recebe o chamado ao Caminho e consegue cumpri-lo sem um dever de gratidão, a ser colocado em prática na sua vida futura. Aceite tal missão e, na sua vida, atue para o melhor do Planeta.