A palavra “ordem”
pode ter vários significados e cada um deles levar a um entendimento diverso.
Ordem pode ser tanto a organização, a estruturação de algo, suas regras e
possibilidades, quanto, por outro lado, significar um grupamento humano,
voltado a arregimentar determinado interesse e atividade.
No primeiro sentido,
é claro que o Caminho de Santiago de Compostela possui uma ordem estabelecida.
Há trilhas milenares organizadas e sequenciadas, com indicações de progresso.
Seguir essa ordem é necessário para se cumprir a jornada, conforme o relevo, visando avançar os territórios.
Uma vez que se saia
dessa ordem, poderá não só errar o caminho, mas ir por opções insatisfatórias,
como o acostamento de estradas, cujo direcionamento é o mesmo que a trilha,
todavia, desinteressante de ser percorrido.
Noutro sentido,
ordem pode ser o conjunto de regras de conduta a ser seguida pelo peregrino.
Não há um código de conduta claro estabelecido. Há apenas orientações: a)
ciclistas devem respeitar a preferencial dos caminhantes; b) recolher todo o
lixo gerado no Caminho; c) respeitar o espaço dos demais peregrinos em suas
necessidades e ritmo de jornada; d) manter limpos os albergues por onde passar,
colaborando com o serviço voluntário daqueles que os mantém; e) não destruir o
ambiente das trilhas, nem vandalizar setas indicativas; f) não se locupletar
dos peregrinos ou de quem os ajuda; h) respeitar o silêncio e a introspecção
alheia.
Do ponto de vista
do grupamento humano, a ordem é caracterizada a partir da noção de que todo o
peregrino que conclui a jornada, passa a compor, no Inconsciente Coletivo, o
rol de peregrinos do Caminho.
Sua experiência
passará a compor a Psique do Caminho da maneira que, todos os seus passos,
pedaladas, pensamentos, sentimentos e energias, emanados, são agora componentes
do seu todo. De maneira
intangível, cada ser humano que viveu o chamado do Caminho, passa a ser membro
dessa Ordem imaterial do Universo, sem qualquer necessidade de ser aceito ou
credenciado ou filiado para tanto.
Isso não lhe
atribuí um benefício fático, material ou de qualquer tipo de superioridade,
apenas o coloca irmanado aos demais peregrinos, ao ponto de conexão com aqueles
que buscaram e aos que buscarão um sentido a maior nesta experiência humana.
Poderíamos, enfim,
falar dos deveres de quem adentra a esta Ordem imaterial. Dentre eles, o de
honrar o Caminho, sua história, procurando sempre defender sua existência, sua
preservação e divulgação correta.
Outro dever é o de
assumir sua responsabilidade terrena pelo O MELHOR DE TUDO, O MELHOR PARA TODOS.
Ninguém recebe o chamado ao Caminho e consegue cumpri-lo sem um dever de gratidão, a ser colocado em
prática na sua vida futura. Aceite tal missão
e, na sua vida, atue para o melhor do
Planeta.