sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Os Guardiões do Caminho


Certas pessoas, após receber o chamado, vivenciam a oportunidade de experenciar a peregrinação e acabam por identificar sua missão existencial enquanto guardiões do Caminho. São inúmeros os casos de pessoas que, após a jornada, colocam-se à disposição assistencial dos outros, voluntariamente, a orientar, ajudar e contribuir de alguma forma com o Caminho de Santiago de Compostela.

Há casos de pessoas que se mudam para a Espanha. Há casos dos que constroem hospedarias, restaurantes, iniciam atividades de apoio ou se colocam à disposição, durante uma parte do ano, a voluntariar na manutenção dos albergues e outras atividades.

Por exemplo, Maria, a Uruguaia, que encontrei na subida do Cebreiro, é uma guardiã no Caminho Francês. Segundo ela me disse, já estava há seis anos voluntariando ali, pelo período de seis meses entre a primavera e o verão, no pé do Cebreiro, a disponibilizar gratuitamente água e pequenas refeições gratuitas aos peregrinos, antes de iniciar a subida.

Senhor Júlio, outro exemplo, é um carteiro espanhol aposentado, cuja atividade diária é de caminhar junto com os peregrinos nos cinco quilómetros perto de sua casa, a bater um bom papo e assim dar sua forma de acolhimento e atenção aos peregrinos no Caminho Português.

O brasileiro Acácio, depois de sua jornada, abriu seu próprio albergue no Caminho e por lá vive até os dias atuais, recebendo e atendendo os peregrinos em Burgos. São estes, exemplos de pessoas, guardiões do Caminho que, com certeza, não se intitulam dessa maneira, mas estão ali, a contribuir assistencialmente.

Para ser um guardião do Caminho, há que se assumir a responsabilidade de se contribuir de alguma maneira. Pode-se investir tempo, estudo e divulgação do Caminho. Há ainda aqueles que movimentam associações e prestam ajuda aos futuros peregrinos. Há aqueles que contribuem com a limpeza de resíduos, deixados por pessoas inconsequentes. Há os que contribuem na manutenção das setas e das trilhas.

Se você sentir essa necessidade durante sua jornada de peregrinação, mãos à obra.