Certas
pessoas, após receber o chamado, vivenciam a oportunidade de experenciar a
peregrinação e acabam por identificar sua missão existencial enquanto guardiões
do Caminho. São inúmeros os
casos de pessoas que, após a jornada, colocam-se à disposição assistencial dos
outros, voluntariamente, a orientar, ajudar e contribuir de alguma forma com o
Caminho de Santiago de Compostela.
Há casos de pessoas
que se mudam para a Espanha. Há casos dos que constroem hospedarias,
restaurantes, iniciam atividades de apoio ou se colocam à disposição, durante
uma parte do ano, a voluntariar na manutenção dos albergues e outras
atividades.
Por exemplo, Maria,
a Uruguaia, que encontrei na subida do Cebreiro, é uma guardiã no Caminho
Francês. Segundo ela me disse, já estava há seis anos voluntariando ali, pelo
período de seis meses entre a primavera e o verão, no pé do Cebreiro, a
disponibilizar gratuitamente água e pequenas refeições gratuitas aos peregrinos,
antes de iniciar a subida.
Senhor Júlio, outro
exemplo, é um carteiro espanhol aposentado, cuja atividade diária é de caminhar
junto com os peregrinos nos cinco quilómetros perto de sua casa, a bater um bom
papo e assim dar sua forma de acolhimento e atenção aos peregrinos no Caminho
Português.
O brasileiro Acácio,
depois de sua jornada, abriu seu próprio albergue no Caminho e por lá vive até
os dias atuais, recebendo e atendendo os peregrinos em Burgos. São estes, exemplos
de pessoas, guardiões do Caminho que, com certeza, não se intitulam dessa
maneira, mas estão ali, a contribuir assistencialmente.
Para ser um
guardião do Caminho, há que se assumir a responsabilidade de se contribuir de
alguma maneira. Pode-se investir tempo, estudo e divulgação do Caminho. Há
ainda aqueles que movimentam associações e prestam ajuda aos futuros
peregrinos. Há aqueles que contribuem com a limpeza de resíduos, deixados por
pessoas inconsequentes. Há os que contribuem na manutenção das setas e das
trilhas.
Se você sentir essa
necessidade durante sua jornada de peregrinação, mãos à obra.
