O Caminho deve ser
um balizador, um ritual de passagem da abertura de novas portas em sua vida. Nesse
ponto, tal retiro sabático pode ser um momento grandioso de evolução pessoal,
com vistas a semear o futuro. Para tanto, há que
se aproveitar a experiência para se fazer um balanço geral das coisas, do
modelo de vida e das experiências ali vivenciadas.
Além das anotações
diárias do diário de bordo, como forma de manter a memória do dia a dia da jornada,
sugere-se fazer o seu inventário geral de vida. A técnica deve
levar em consideração como se você estivesse na fase terminal de sua vida e
estivesse a escrever suas memórias de experiências, erros e acertos mais
marcantes a serem relembrados.
Procure refletir se
você teria uma morte tranquila, por estar satisfeito com a vida traçada até o
momento. Pense como foi sua relação com a vida até aqui, tudo o que recebeu
dela, em termos de oportunidades, conforto, e tudo o que retornou em termos de
gratidão, respeito e assistência.
Refletiva
sobre o que faria se ganhasse mais tempo de vida, como agiria e como mudaria se
esse período final fosse transformado em anos e passe a essa análise. Na sequência do seu
inventário, anote o que você aprendeu com seus erros e como deveria ou agiria
em novas oportunidades com as mesmas características.
Agora comece a
trabalhar as questões da sua vida atual e sobre o seu futuro. Verifique o que
não está adequado e quais coisas você não quer mais na sua vida. Podem ser situações
afetivas, pessoas próximas, vínculos profissionais, cuja ocorrência ou presença
retiram seu centro de equilíbrio existencial.
Anote tudo o que
lhe incomoda e explique seus motivos no diário de bordo: eu não quero mais isso
em minha vida, por tais e tais motivos. Escreva à vontade e com especificidade. Aproveita a lucidez
durante a jornada diária para pensar sobre tais assuntos. Faça questionamentos
também, sobre coisas bifrontes, as quais trazem satisfação, felicidade e
contentamento por um lado, mas também incômodos e estresse, por outro.
Tente fazer uma
tabela sobre esses assuntos duais, com duas colunas. Na primeira, destaque o
que há de bom naquela situação. Na segunda, destaque o que há de ruim. Pode
ainda, se quiser, colocar uma terceira coluna, para destacar pontos neutros,
mas que são importantes para se ter em mente em sua análise no cômputo geral.
Depois disso, veja
o que pode ser mudado e como pode ser mudado. Há coisas que não podem ser
mudadas e para elas, você precisará decidir continuar ou desapegar-se e pagar o
preço dessa escolha. Há outras coisas que podem ser mudadas e tais mudanças
poderão ser suficientes para se recobrar, com o tempo, o equilíbrio e seu
centramento pessoal.
Como certas
mudanças não dependem somente de você e podem depender também de um conjunto de
fatores e pessoas na sua vida cotidiana, procure ser detalhista ao anotar as
mudanças esperadas neste inventário. Pode-se
até pensar em fases, avanços pontuais, a serem conquistados passo a passo, até
que possa libertar-se daquilo que você pretende mudar na sua vida.
Nem toda mudança
pode ser obtida imediatamente na vida pessoal. Há que se evitar radicalismos,
salvo em questões incontornáveis, com as quais não se quer mais, de jeito
nenhum, conviver. Em outras, há que se planejar o tempo necessário, até se
ajustarem.
Por fim, há que se
pensar também em aquisições para a sua vida, de coisas, amizades e novos
desafios, a serem obtidos no futuro. Quais suas novas metas? O que quer obter
de novo num futuro próximo? Como se preparar e criar estratégias com vistas à
obtenção desses novos resultados?
Um novo amor, um
novo trabalho, uma nova formação, tais são desafios válidos a serem obtidos em
futuro próximo. Para tanto, há que se repensar e anotar o que deve ser priorizado
no retorno da jornada, transmutado, visando essa nova vitória pretendida.
Procure não se
vitimizar ou se enaltecer demais e guarde seu inventário sempre em segredo. Ele
servirá ao entendimento do panorama geral dos objetivos que terá pela frente,
na implementação das mudanças necessárias a transmutar para melhor a sua vida.