quinta-feira, 12 de julho de 2018

Alteração das Percepções Dimensionais


Uma das coisas que acontece na jornada é a mudança da noção espacial. Especialmente no Caminhar, pequenas distâncias passam a ressignificar grandes avanços a serem vencidos diariamente (20 a 30 Km). A cada cidade, parece que você avançou a outro país e passa a sentir as diferenças entre os locais fortemente. Isso ocorre pelo desforço corporal necessário a vencer tais distâncias, muito diferente da vida cotidiana, onde os veículos levam pessoas facilmente a grandes distâncias assim, em minutos.
Essa desaceleração colabora à introspecção e ao foco no ambiente que se está a vencer. Pode-se observar detalhes das construções, das pessoas, do relevo, da vegetação e das gentes de cada território visitado. 

Isso colabora sobremaneira no processo de reconexão com a natureza a ser vivenciada no Caminho, essencial para o centramento do self na redescoberta do equilíbrio de si mesmo. As tecnologias humanas são grandes avanços, mas retiraram o indivíduo de sua conexão com a terra (solo) e os veículos automotores provocaram isso. Ganha-se velocidade, mas paradoxalmente se perde a conexão corporal, desconectando-se a pessoa de seu meio.

Daí a importância dessa ocorrência para a sua imersão na Psique do Caminho, seu “aterramento” e abertura às vivências da jornada. Em dias de chuva e frio, ou muito calor, tais jornadas resultaram na percepção de serem ainda mais extensas. Quando se chega ao final delas, sente-se um misto de exaustão, com alivio e deslumbramento perante o novo território atingido.

Como não poderia deixar de ser, a dimensão tempo também é ressignificada. Os dias passam a ser vividos em maior extensão e se sente claramente dois momentos importantes do dia: o da jornada e da chegada.

Perde-se um pouco a importância da noção de horas. Apenas importam os momentos do relógio inerentes ao despertar, alimentar-se e dormir. Também se perde a importância da noção de dias da semana e de dias do mês.

Abre-se aqui uma janela atemporal na mente durante a jornada diária, onde passado e futuro combinam-se durante a introspecção do presente. Essa flutuação quântica faz o indivíduo transitar entre planos consciente e inconsciente, dentro dessa meditação aeróbica diária. Fatos do passado são analisados por seus efeitos no futuro, enquanto o presente serve de ancoradouro da consciência e indicativo do contínuo da jornada em curso. 

Dentro desse processo terapêutico, há um retorno a si, deixando-se de lado as preocupações diárias marcadas pelo relógio e pelas distâncias a serem percorridas. Como não há tempo e espaço a ser contado, tudo pode ser mais simples, mais leve, com a consciência livre para sua maior introspecção no processo em curso.

Como o nível de alteração e aceleração dessas duas dimensões físicas acaba por implicar em mais ou menos qualidade de vida e como a experiência do Caminho pode contribuir à melhoria de sua vida, veja como isso poderá ser levado para a sua vida, após o término da jornada.