O peregrino começa
o Caminho com suas forças máximas, geralmente empolgado e cheio de suas
energias libidinais. Durante a jornada irá recobrar tal estado de euforia
durante momentos especiais, nas chamadas epifanias, locais mágicos e encontros
especiais.
São as flores e os
dias de sol do Caminho. São os momentos da colheita dos enfrentamentos pessoais
feitos ao se abrir à Psique do Caminho. São os melhores momentos possíveis
vivenciados caminho, quando vem à tona os melhores sentimentos e os melhores
pensamentos de felicidade e de bem-estar.
Nessas horas de máxima
conexão, no meio dos interiores de Espanha, flores ficam mais belas, o dia
ganha realce nos tons azuis do céu, os sons dos cursos de água parecem
orquestras vocalizadas por passarinhos em volta.
Nessas horas de
extravase emocional positivo, a pessoa deixa sua posição de controle,
adentrando a áreas mais prazeirosas de sua personalidade e sente-se leve, livre
e solta. Se a força do
peregrino está em sua busca, que o faz viver a jornada, tais momentos de graça
serão a confirmação de que estará no caminho do seu renascimento emocional, de sua
pulsão de vida.
Nessas horas, dúvidas
mais profundas ficarão apequenadas. Esta é uma das constatações mais
interessantes da jornada. Entre os dias de desafio da desconexão, as crises e
os posteriores momentos de êxtase, o peregrino adentra cada vez mais ao seu
processo de individuação.
A franqueza de quem
faz o desafio do Caminho em sua opção terapêutica, é compensada ao extremo
nesses momentos de plenitude física, emocional e mental do processo. Cante,
abrace e comemore esses dias de luz.
Acorde no dia
seguinte, de cabeça leve e siga em frente. A lição aqui é entender que, mesmo
sempre após cada dia de desafio há um belo pôr do sol à sua espera. Se há
coisas a serem trabalhadas perante a Psique do Caminho, dias de desconexão e de
máxima conexão serão faces de uma mesma moeda de sua jornada.