segunda-feira, 2 de abril de 2018

A Desconexão da Realidade Noticiada

De nada adianta querer vivenciar o Caminho e seu processo terapêutico, sem também fazer uma desconexão da realidade jornalística durante o percurso. Isso não significa ficar isolado do mundo. É importante manter a conexão com alguém de confiança, por segurança. Porém, ao se comunicar com a pessoa de referência escolhida para acompanhar sua jornada à distância, peça a ela que evite ser emissária de notícias da realidade noticiada.
Quanto menos você souber, melhor. Claro que, ao deixar isso combinado, estabeleça quais as situações de emergência, social, profissional ou pessoal, que poderão ser informadas, em caso excepcional. Fora essas, evite tratar da vida social, que só serviriam enquanto mecanismo de fuga, a retirar você do seu processo de imersão na Psique do Caminho em curso.

Por outro lado, desconectar-se não significará ficar alheio, mas sim, aberto aos insights de sua terapêutica própria, enfrentamentos e crescimento pessoal, quando situações pontuais da sua vida emergirão em sua mente ou à sua frente, dentro da dinâmica da jornada.

Por isso é importante deixar o processo fluir subjetivamente e evitar que, notícias da realidade possam contaminar seus momentos de autorreflexão criativa. Se não fizer isso, contaminará o aprofundamento individual no processo terapêutico, assim como o espaço de elaboração dos insights e reformulações de pensamentos, emoções e sentimentos a partir da conexão à Psique do Caminho.

Para muitos, não será fácil fazer essa desconexão da realidade. Faça-a aos poucos, dia a dia da jornada, até se conseguir eliminar o desejo de acesso a qualquer informação advinda de notícias jornalísticas.

Pessoas adictas em meios eletrônicos, especialmente em redes sociais, devem fazer um trabalho prévio de desconexão. Tal iniciativa colaborará quando da chegada ao Caminho, para não ter os efeitos da abstinência de informações sociais agravados. Será a hora de produzir seus próprios conteúdos ao escrever no computador ou o smartphone (técnica do diário de bordo do Caminho), em suas anotações pessoais.

Ou ainda, aproveitar o tempo para acessar dados do próprio Caminho, quando precisar verificar as condições dos trajetos a seguir, a previsão do tempo e informações relevantes. Isso faz parte da imersão no próprio processo e ajuda a imergir nas sinapses esperadas perante a Psique do Caminho. Pode-se também ler guias e materiais correlatos, disponíveis nas hospedagens e restaurantes.

Tente se conscientizar de todo o investimento que está sendo feito para oportunizar essa jornada e que o foco é tirar o máximo proveito da experiência e não se desviar. Quando se sentir só, escreva no seu diário de bordo sobre isso e tente identificar o que está por trás dessa necessidade de acessar informações e notícias.

Durante a jornada, você perceberá que não precisa de tanta informação rápida ou comunicação instantânea para viver. Aos poucos, irá percebendo o valor dos momentos em que poderá ter paz, liberdade criativa e de pensamento, ao estar sozinho nas trilhas. 

O processo físico extenuante irá conduzir sua consciência à introspecção e ao seu centro pessoal, momento em que notícias são o que menos você irá sentir falta nesta jornada. Se você já está em pânico, ao ler aqui sobre o assunto, começa já a avaliar seu nível de dependência eletrônica, de apego efêmero às notícias e de medo da solidão.  

Com a desconexão das notícias, recupera-se a importância presencial perceptiva e da propriocepção individual, corporal e sua sensibilidade existencial e ao meio à sua volta. 

Como dizia Jung, o centro do equilíbrio indivíduo está em seu self, que é algo interno, mas dependente da qualidade de suas conexões externas. Se há uma desconexão do mundo externo, haverá espaço para seu mundo interior emerja e apresente-se aos seus olhos.

Recuperar esse senso de inteireza pessoal e íntima, será uma forma de recuperar seu centramento e individuação. Portanto, centre-se em você e na jornada.