quarta-feira, 11 de abril de 2018

A Reconexão Imanente

Freud tinha razão ao dizer que o processo civilizatório, apesar de ser essencial à vida organizada em sociedade, é neurotizante, dele advindo uma vasta miríade de respostas neuróticas adaptativas da vida social.

Especialmente na sociedade de consumo de massa atual, o indivíduo é sugado ao materialismo, focando sua felicidade na aquisição de bens, cercando-se de concreto e distanciando-se cada vez mais da natureza.

Esse quadro de vida artificial acentua os desequilíbrios, pois tira a pessoa de sua conexão natural com o meio, com as trocas de energia imanente que contribuem ao seu bem-estar. No Caminho de Santiago, por reconexão imanente entenda o retorno ao contato com a natureza, às trocas energéticas e sensoriais com o meio e assim, novamente a percepção da importância disto para a sua vida.

Quando se está no caminho de Santiago de Compostela, será perceptível a redução do processo de neurotização urbana, em razão de adentrar durante a jornada em áreas rurais, menos habitadas e com vasta e abundante natureza.

Essa situação acaba por provocar, durante a dinâmica da caminhada, uma reconexão automática ao mundo imanente. Resultam então, os benefícios imediatos termos terapêuticos, com percepções sensoriais cujo bem-estar é decorrência direta dessa reconexão.

Pisar ao solo úmido, visualizar o horizonte, ouvir as quedas de água, respirar ar puro, comer comida fresca e não industrializada, é algo que o Caminho possibilita ao peregrino na maior parte de seu percurso.

Nestes momentos, o peregrino deve focalizar sua atenção e análise sobre como aquela vida comezinha e simples do meio rural, como o ritmo calmo e estável da natureza, retiram imediatamente a aceleração emocional.

A exposição ao verde, à água corrente, flores e passarinhos, são grandes riquezas deixadas de lado na correria da vida urbana. Sua redescoberta durante a Psique do Caminho será parte da terapêutica de centramento e individuação a ser vivida na jornada.

Comece a prestar atenção às pessoas no transcorrer das vilas, lugarejos e os compare com os moradores das maiores cidades por onde passa o Caminho. Verá uma grande diferença em termos vibracional, o que impacta diretamente seus campos energéticos áuricos. Suas energias acabam ficando mais fechadas e a saída e buscar satisfação material.

Nessas horas, o peregrino, em reconexão imanente, perceberá estar em outra vibração. Perceberá a presença de uma camada de bem-estar, singela e leve. Analise, nestes momentos, que não é preciso muito para se viver em bem-estar. Tente visualizar sua vida, em quais circunstâncias do dia a dia, a saída ao mal-estar foi pelo consumismo. Procure verificar nas suas memórias, quanto tempo o efeito de supressão do mal-estar, pela ação de tais neuroses adaptativas urbanas.

Essa é uma lição biocêntrica a ser aprendida. Toda perda de qualidade de vida perante a conexão natural do ser humano com a natureza, requer mais e mais adaptações neuróticas para se produzir bem-estar. Tais adaptações custam caro e, portanto, demandam mais esforço a serem obtidas. Logo, mais estresse, dentro de um círculo vicioso e neurotizante sem fim.  

No Caminho ou fora dele, você poderá repensar a vida e aquilo que é essencial a manter a sua sadia qualidade, a partir de agora.

Se você estiver imerso em neuroses adaptativas urbanas e se considerar em equilíbrio, isto significa que sua resiliência é suficientemente presente para tal suporte.

Todavia, não é de se estranhar algum tipo de resistência, se este tópico causar algum desconforto emocional. Nessas horas, será importante verificar quais e o porquê desses mecanismos de defesa estarem ativados.

Centramento por meio da reconexão imanente é algo que pode e deve ser buscado não só no Caminho de Santiago. Trata-se de uma técnica de terapia natural acessível a todos, em qualquer local, onde seja possível manter-se em contato com a natureza.

Por fim, depois do retorno da jornada, procure estabelecer um plano futuro de manter mais contato com a natureza a assim manter seus benefícios contínuos, em seu retorno à vida urbana.