Freud
tinha razão ao dizer que o processo civilizatório, apesar de ser essencial à
vida organizada em sociedade, é neurotizante, dele advindo uma vasta miríade de
respostas neuróticas adaptativas da vida social.
Especialmente na sociedade de consumo de massa atual, o indivíduo é sugado ao materialismo, focando sua felicidade na aquisição de bens, cercando-se de concreto e distanciando-se cada vez mais da natureza.
Esse quadro de vida
artificial acentua os desequilíbrios, pois tira a pessoa de sua conexão natural
com o meio, com as trocas de energia imanente que contribuem ao seu bem-estar. No Caminho de
Santiago, por reconexão imanente entenda o retorno ao contato com a natureza, às
trocas energéticas e sensoriais com o meio e assim, novamente a percepção da
importância disto para a sua vida.
Quando se está no
caminho de Santiago de Compostela, será perceptível a redução do processo de
neurotização urbana, em razão de adentrar durante a jornada em áreas rurais,
menos habitadas e com vasta e abundante natureza.
Essa
situação acaba por provocar, durante a dinâmica da caminhada, uma reconexão
automática ao mundo imanente. Resultam então, os benefícios imediatos termos terapêuticos,
com percepções sensoriais cujo bem-estar é decorrência direta dessa reconexão.
Pisar ao solo
úmido, visualizar o horizonte, ouvir as quedas de água, respirar ar puro, comer
comida fresca e não industrializada, é algo que o Caminho possibilita ao
peregrino na maior parte de seu percurso.
Nestes momentos, o
peregrino deve focalizar sua atenção e análise sobre como aquela vida comezinha
e simples do meio rural, como o ritmo calmo e estável da natureza, retiram
imediatamente a aceleração emocional.
A
exposição ao verde, à água corrente, flores e passarinhos, são grandes riquezas
deixadas de lado na correria da vida urbana. Sua redescoberta durante a Psique
do Caminho será parte da terapêutica de centramento e individuação a ser vivida
na jornada.
Comece a prestar
atenção às pessoas no transcorrer das vilas, lugarejos e os compare com os
moradores das maiores cidades por onde passa o Caminho. Verá uma grande
diferença em termos vibracional, o que impacta diretamente seus campos
energéticos áuricos. Suas energias acabam ficando mais fechadas e a saída e
buscar satisfação material.
Nessas horas, o
peregrino, em reconexão imanente, perceberá estar em outra vibração. Perceberá
a presença de uma camada de bem-estar, singela e leve. Analise, nestes
momentos, que não é preciso muito para se viver em bem-estar. Tente visualizar sua
vida, em quais circunstâncias do dia a dia, a saída ao mal-estar foi pelo
consumismo. Procure verificar nas suas memórias, quanto tempo o efeito de
supressão do mal-estar, pela ação de tais neuroses adaptativas urbanas.
Essa é uma lição
biocêntrica a ser aprendida. Toda perda de qualidade de vida perante a conexão
natural do ser humano com a natureza, requer mais e mais adaptações neuróticas
para se produzir bem-estar. Tais adaptações custam caro e, portanto, demandam
mais esforço a serem obtidas. Logo, mais estresse, dentro de um círculo vicioso
e neurotizante sem fim.
No Caminho ou fora
dele, você poderá repensar a vida e aquilo que é essencial a manter a sua sadia
qualidade, a partir de agora.
Se você estiver imerso
em neuroses adaptativas urbanas e se considerar em equilíbrio, isto significa
que sua resiliência é suficientemente presente para tal suporte.
Todavia, não é de
se estranhar algum tipo de resistência, se este tópico causar algum desconforto
emocional. Nessas horas, será importante verificar quais e o porquê desses
mecanismos de defesa estarem ativados.
Centramento por
meio da reconexão imanente é algo que pode e deve ser buscado não só no Caminho
de Santiago. Trata-se de uma técnica de terapia natural acessível a todos, em
qualquer local, onde seja possível manter-se em contato com a natureza.
Por fim, depois do retorno da jornada, procure estabelecer um plano futuro de manter mais contato com a natureza a assim manter seus benefícios contínuos, em seu retorno à vida urbana.
