quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A Psique do Caminho

O Caminho de Santiago surge com a história da mítica descoberta do local de sepulcro do Apóstolo Tiago (Yacobo) em Galícia, oito séculos após a sua morte. Mas somente a partir do século X, o mito se espalha pela Europa. Desde então, milhares de peregrinos percorreram o Caminho, incluindo personagens históricas como Carlos Magno, El Cid e São Francisco de Assis.
Nesse sentido, são mais de dez séculos de história em que os peregrinos percorrem os Caminhos em direção ao sepulcro de São Tiago, na cidade batizada em sua homenagem como Santiago de Compostela.

O Caminho de Santiago de Compostela foi declarado patrimônio cultural europeu pela União Europeia e patrimônio mundial da humanidade pela UNESCO.

Com o passar do tempo e do acúmulo de experiências nas rotas que levam à cidade de Santiago de Compostela, tais trajetos assentaram-se sob uma egrégora, um modelo inconsciente de peregrinação.
A cada novo peregrino, um reforço a mais neste sentido, a contribuir para a força deste modelo inconsciente, desta Psique do Caminho, a criar um ritual, um “script” de travessia desta jornada. 

Com a cristalização dessas condutas no tempo, formou-se aquilo que, na teoria do Inconsciente Coletivo, Carl Gustav Jung considera como arquétipo. Entende-se arquétipo como um modelo inconsciente e cristalizado de condutas, pensamentos, energias e sentimentos específicos, a ser demarcado culturalmente, cuja reprodução automática se reforça cada vez mais no tempo. 
É isso o que você encontrará no Caminho de Santiago, um arquétipo a influenciar as vivências dos peregrinos que receberam o seu chamado.

Essa reprodução do modelo arquetípico é contínua e vai sendo aprimorada com o passar do tempo, a refletir a afirmação de que o Caminho hoje possui uma alma própria, ou seja, uma Psique do Caminho.

Claro que você poderia apenas visitar o caminho de maneira turística e não perceber nada disso. Até negar que o Caminho não tem uma alma (psique) própria.

Nessas horas, há que se lembrar de que tudo o que existe fisicamente e metafisicamente antecede ao indivíduo, que introjeta do mundo a cultura pré-existente.  Assim, é importante evitar os autoenganos. Você acessará por livre arbítrio a parte deste arquétipo que quiser acessar, nada mais, nada menos, do que já existiu por ali, em mil anos de peregrinações cristalizadas.

Quem vai ao Caminho de Santiago e o faz sem perceber nenhuma introspeção ou modificação em seu modo de ser, bloqueou sua conexão à Psique do Caminho. 

Por isso, estar em busca de sentido é a senha essencial de acesso à Psique do Caminho, cujos efeitos avançarão na medida de sua imersão, uma vez que as respostas esperadas partem de seu próprio self.


O caminho então, é apenas um instrumento, um ritual de passagem, não o fim em si. E como todo ritual, quando ele é vivido dentro do seu padrão arquetípico cristalizado na cultura do tempo, os resultados irão providencialmente acontecer e serão revelados no dia a dia desta maravilhosa jornada de autodescobrimento.