O Caminho de
Santiago surge com a história da mítica descoberta do local de sepulcro do
Apóstolo Tiago (Yacobo) em Galícia, oito séculos após a sua morte. Mas somente a
partir do século X, o mito se espalha pela Europa. Desde então, milhares de
peregrinos percorreram o Caminho, incluindo personagens históricas como Carlos
Magno, El Cid e São Francisco de Assis.
Nesse sentido, são mais
de dez séculos de história em que os peregrinos percorrem os Caminhos em direção
ao sepulcro de São Tiago, na cidade batizada em sua homenagem como Santiago de
Compostela.
O Caminho de
Santiago de Compostela foi declarado patrimônio cultural europeu pela União
Europeia e patrimônio mundial da humanidade pela UNESCO.
Com o passar do
tempo e do acúmulo de experiências nas rotas que levam à cidade de Santiago de
Compostela, tais trajetos assentaram-se sob uma egrégora, um modelo
inconsciente de peregrinação.
A cada novo peregrino,
um reforço a mais neste sentido, a contribuir para a força deste modelo inconsciente,
desta Psique do Caminho, a criar um ritual, um “script” de travessia desta
jornada.
Com a cristalização
dessas condutas no tempo, formou-se aquilo que, na teoria do Inconsciente
Coletivo, Carl Gustav Jung considera como arquétipo. Entende-se
arquétipo como um modelo inconsciente e cristalizado de condutas, pensamentos,
energias e sentimentos específicos, a ser demarcado culturalmente, cuja
reprodução automática se reforça cada vez mais no tempo.
É isso o que você
encontrará no Caminho de Santiago, um arquétipo a influenciar as vivências dos
peregrinos que receberam o seu chamado.
Essa reprodução do
modelo arquetípico é contínua e vai sendo aprimorada com o passar do tempo, a
refletir a afirmação de que o Caminho hoje possui uma alma própria, ou seja, uma
Psique do Caminho.
Claro que você
poderia apenas visitar o caminho de maneira turística e não perceber nada
disso. Até negar que o Caminho não tem uma alma (psique) própria.
Nessas
horas, há que se lembrar de que tudo o que existe fisicamente e metafisicamente
antecede ao indivíduo, que introjeta do mundo a cultura pré-existente. Assim, é importante
evitar os autoenganos. Você acessará por livre arbítrio a parte deste arquétipo
que quiser acessar, nada mais, nada menos, do que já existiu por ali, em mil
anos de peregrinações cristalizadas.
Quem vai ao Caminho
de Santiago e o faz sem perceber nenhuma introspeção ou modificação em seu modo
de ser, bloqueou sua conexão à Psique do Caminho.
Por isso, estar em
busca de sentido é a senha essencial de acesso à Psique do Caminho, cujos
efeitos avançarão na medida de sua imersão, uma vez que as respostas esperadas
partem de seu próprio self.
O caminho então, é
apenas um instrumento, um ritual de passagem, não o fim em si. E como todo
ritual, quando ele é vivido dentro do seu padrão arquetípico cristalizado na
cultura do tempo, os resultados irão providencialmente acontecer e serão
revelados no dia a dia desta maravilhosa jornada de autodescobrimento.
