Foi
Joseph Campbell, na obra “O Herói de Mil Faces”, quem identificou nas sagas
humanas o arquétipo da jornada do herói. Este arquétipo
humano é vivenciado por todos aqueles que, independente de suas diferentes
culturas e países, recebem um chamado a enfrentar um desafio existencial transformador
pela frente.
Na Teoria de Campbell, a aventura do herói começa a ser vivenciada desde um chamado, perpassa um ponto de ruptura (separação de sua realidade), adentra à iniciação ao novo (um caminho de transmutação) e chega até os efeitos do retorno da saga. Há muitas subfases nesse processo, mas o certo é que tal experiência humana não é algo novo, mas sim, um ritual de transformação existencial há muito materializado no Inconsciente Coletivo, ao longo da história humana.
Acessar o arquétipo
do herói faz parte da dinâmica inconsciente da Psique do Caminho. Muitas vezes,
o chamado fica latente, com o indivíduo conectado ao arquétipo desta saga sem perceber, até que uma
crise existencial ou uma necessidade de obtenção de respostas às demandas da
vida, faça-o mover-se em direção à preparação ao Caminho de Santiago de Compostela.
Eventos críticos na
vida, como uma doença grave, a morte de um ente querido, mudanças radicais nas
condições existenciais, podem ser mecanismos de incentivo à ativação do arquétipo
adormecido.
Claro que você não
precisa esperar algo para se candidatar ao caminho. Pode muito bem, pelo ponto
de vista de uma pulsão de vida, decidir-se por essa aventura e pela superação
de desafios que ela representa. Esta também é uma característica de quem ressona
com o arquétipo do herói e o possui adormecido em si.
Por que alguns vão acessar
o arquétipo do herói e outros não? Essa resposta faz parte daqueles mistérios da mente
inconsciente e da vida espiritual, cujos fatores materiais não são os preponderantes
a descrever os motivos exatos cada peregrino acessar à Psique do Caminho.
Para muitos, o arquétipo
do herói não passa de uma sensação emocionante de busca pela aventura, coisa
que os faz sentir-se vivos e vibrantes, sem o rigor de avaliar aprofundamentos metafísicos
sobre essa ocorrência.
Para outros, um
conjunto de sincronicidades, aberturas de oportunidades de vida e insights farão
com que se perceba as nuances do arquétipo em curso. Independente disso,
se você se propõe a encarar o Caminho, tal processo arquetípico estará em curso, uma vez que, ao se responder o chamado, estará a aceitar a jornada
da heroína ou do herói já existente em você.
A importância
prática disso é poder ter consciência do processo psíquico em curso, afim de otimizar
sua ocorrência durante a jornada, enquanto desafio de crescimento existencial buscado. Negar o herói em você pode ser uma forma humilde de encarar o Caminho, situação muito comum aos peregrinos, pois os desafios e provações da jornada vão muito além das imagens romantizadas nos filmes de Hollywood.
O herói, neste sentido, não lutará uma batalha fantástica contra o bem ou o mal, mas sim, assumirá as rédeas de seu próprio corpo, mente e espírito, ao desbravar sua individuação terapêutica nos Caminhos de Santiago de Compostela, em busca do regozijo e da transmutação resultantes das aprendizagens a serem recebidas.
O herói, neste sentido, não lutará uma batalha fantástica contra o bem ou o mal, mas sim, assumirá as rédeas de seu próprio corpo, mente e espírito, ao desbravar sua individuação terapêutica nos Caminhos de Santiago de Compostela, em busca do regozijo e da transmutação resultantes das aprendizagens a serem recebidas.
Aos heróis e heroínas peregrinos, a Psique do Caminho reserva, ao final de cada saga, algo muito além de se obter o certificado da "Compostelana". Cada qual soube da imensidão de sua conquista ao seu final, de sua força existencial na vitória obtida e da abertura para o que virá a seguir.
Cada peregrino concluinte do desafio passa a integrar a imaterial Ordem do Caminho, a estar conectado a está mítica antiga de pessoas de ontem, de hoje e de amanhã, aptas a colaborar na melhoria vibracional desta casa chamada Terra.
Com gratidão a Joseph Campbell.