Por que fazer o Caminho de Santiago da Compostela? Há
inúmeras motivações, desde a mais tradicional, a religiosa cristã, de
peregrinação até a Catedral onde estariam os restos mortais do Apóstolo Tiago, até
mesmo mera visitação turística.
Com o tempo, o relato acumulado das experiências dos
peregrinos passou a refletir aspectos espirituais demarcados e parecidos,
divulgados por todos aqueles que o fizeram. Um encontro de si com a própria
espiritualidade, a partir do processo físico, emocional e mental vivenciado em
dias ininterruptos e exaustivos de caminhada, cuja intensidade leva muitos a
viver epifanias.
Nossa hipótese é que, com o acúmulo de milhares de
experiências individuais, formou-se ali um sendero existencial, uma rota de
passagem e de religação (religare = religião) com a essência da vida, a partir
do contato com a natureza, a redescoberta da simplicidade e da
autocontemplação.
Daí o reconhecimento de uma segunda grande motivação a
experenciar o Caminho de Santiago da Compostela, seu espaço terapêutico. Uma
autoterapia a partir de uma busca existencial de si, coisa bem demarcada na
obra “Diário de um Mago”, de Paulo Coelho.
Enquanto autoterapia, os resultados esperados são de
repensar da vida, das conexões e dos apegos, um balanceamento de tudo o que foi
vivido até o momento, para que se possa abrir portas a novos meios a seguir.
É nesse ponto em que a Psicanálise passa a ser um
instrumento válido à autodescoberta, uma ferramenta hábil a autoterapia no
caminho, a ser usada antes, durante e depois de sua jornada.
Mediante o uso livre de algumas técnicas inspiradas nos
grandes mestres psicanalíticos, o Caminho de Santiago da Compostela poderá ser
um ritual de descoberta, de crescimento existencial.
Esta é a nossa contribuição ao caminho, para que as
experiências de sua jornada pessoal sejam ampliadas ao melhor, ao seu
crescimento e ao encontro do que buscas. Isso é o que também espero a seguir.