sábado, 11 de junho de 2016

A Terapêutica do Caminho de Santiago

Por que fazer o Caminho de Santiago da Compostela? Há inúmeras motivações, desde a mais tradicional, a religiosa cristã, de peregrinação até a Catedral onde estariam os restos mortais do Apóstolo Tiago, até mesmo mera visitação turística.

Com o tempo, o relato acumulado das experiências dos peregrinos passou a refletir aspectos espirituais demarcados e parecidos, divulgados por todos aqueles que o fizeram. Um encontro de si com a própria espiritualidade, a partir do processo físico, emocional e mental vivenciado em dias ininterruptos e exaustivos de caminhada, cuja intensidade leva muitos a viver epifanias.

Nossa hipótese é que, com o acúmulo de milhares de experiências individuais, formou-se ali um sendero existencial, uma rota de passagem e de religação (religare = religião) com a essência da vida, a partir do contato com a natureza, a redescoberta da simplicidade e da autocontemplação.

Daí o reconhecimento de uma segunda grande motivação a experenciar o Caminho de Santiago da Compostela, seu espaço terapêutico. Uma autoterapia a partir de uma busca existencial de si, coisa bem demarcada na obra “Diário de um Mago”, de Paulo Coelho.

Enquanto autoterapia, os resultados esperados são de repensar da vida, das conexões e dos apegos, um balanceamento de tudo o que foi vivido até o momento, para que se possa abrir portas a novos meios a seguir.

É nesse ponto em que a Psicanálise passa a ser um instrumento válido à autodescoberta, uma ferramenta hábil a autoterapia no caminho, a ser usada antes, durante e depois de sua jornada.

Mediante o uso livre de algumas técnicas inspiradas nos grandes mestres psicanalíticos, o Caminho de Santiago da Compostela poderá ser um ritual de descoberta, de crescimento existencial.


Esta é a nossa contribuição ao caminho, para que as experiências de sua jornada pessoal sejam ampliadas ao melhor, ao seu crescimento e ao encontro do que buscas. Isso é o que também espero a seguir.