domingo, 19 de junho de 2016

A Desconexão Eletrônica

De nada adianta querer vivenciar o caminho e seu processo espiritualizante e terapêutico, sem também fazer uma desconexão eletrônica durante o percurso. Isso não significa ficar isolado do mundo. É importante manter a conexão com alguém, por segurança, informando os trajetos a seguir e comunicando assim que eles forem cumpridos.


Quando se fala em desconexão eletrônica, diz-se sobre a técnica de suspender o uso de redes sociais de todos os tipos durante a jornada, assim como a leitura de jornais e de notícias do Brasil ou de sua região.

Se não fizer isso, bloqueia-se o aprofundamento individual no processo terapêutico do caminho, assim como o espaço de trabalho mental aos insights e reformulações de pensamentos, emoções e sentimentos.

Não é fácil fazer essa desconexão, mas ela deve ser feita aos poucos, dia a dia, até conseguir eliminar voluntariamente o acesso a qualquer informação advinda de sua vida deixada em suspenso.

Essa pausa, esse break existencial, se faz necessário a quem se propõe a vivenciar ao máximo o que o caminho tem a lhe oferecer. Informações advindas do seu mundo, irão conflitar e sobrepujar o processo cognitivo em curso.

Pessoas viciadas em meios eletrônicos, especialmente em redes sociais, devem fazer um trabalho prévio de desconexão. Tal iniciativa colaborará quando da chegada ao caminho.

Para quem sente falta de informações, será a hora de produzir seus próprios conteúdos ao ligar o computador ou o smartphone. Ou seja, comunique-se com a pessoa de referência escolhida para acompanhar à distância sua evolução, mas pedindo a ela que também não sirva de emissária de notícias da sua vida.

Quanto menos você souber melhor. Claro que, ao deixar isso combinado, estabeleça as situações de emergência profissional ou pessoa, que poderão ser informadas, em caso de necessidade urgente.

Fora essas, evite saber coisas do cotidiano, que só servirão para retirar você do seu processo terapêutico em curso, podendo até funcionar enquanto defesas inconscientes de necessários enfrentamentos próprios e íntimos a serem autocontemplandos e auto-analisados.

Por outro lado, é importante você acessar informações sobre o próprio caminho. Verificando todos os dias as condições dos trajetos a seguir, a previsão do tempo e outras informações relevantes.

Pode-se também entrar ainda mais na vibe do processo, lendo sobre outras experiências, assistindo vídeos e relatos vivenciados. Isso ajuda ao seu inconsciente a montar sequências de novas experiências e também serve para você balizar e entender o que está acontecendo com você em termos introspectivos.

A adição eletrônica pode gerar uma recaída. Tente evitar e se conscientizar de todo o investimento que está sendo feito para vencer e tirar o máximo proveito da experiência.

Quando vier a necessidade, escreva no seu diário de bordo do caminho sobre isso e tente identificar o que está por trás dessa necessidade de acessar informações da sua vida.

Ao fazer o caminho de Santiago, você perceberá que não precisa de tantos aparatos eletrônicos e de tanta comunicação instantânea para viver. Aos poucos, poderá ir rompendo com essa forma de vício em sua vida e se centrando novamente.

Você não vai ver pelo caminho alguém andando e consultando seu celular na mão. O processo físico extenuante irá conduzir sua consciência à introspecção e ao seu centro pessoal, não há espaço às redes sociais no caminho.

Outra coisa, durante as paradas, manter-se conectado eletronicamente significa desconectar-se dos peregrinos à sua volta e das trocas e das sincronicidades de pensamentos de que com eles poderia estar a compartilhar.

Isso recupera a importância presencial das pessoas e da própria percepção do indivíduo consigo, seu corpo e sua sensibilidade existencial e ao meio à sua volta.

Como dizia Jung, o centro do equilíbrio indivíduo está em seu self, é algo interno, o que está externo a ele, devem servir ao seu maior equilíbrio e não a sua dependência para se equilibrar.


Recuperar esse senso de inteireza pessoal e íntima, a partir da desconexão eletrônica no caminho faz parte do processo terapêutico em curso. Nesse sentido, a importância de deixar de lado a vida cotidiana e seguir a jornada proposta.