De nada adianta querer vivenciar o caminho e seu processo
espiritualizante e terapêutico, sem também fazer uma desconexão eletrônica
durante o percurso. Isso não significa ficar isolado do mundo. É importante
manter a conexão com alguém, por segurança, informando os trajetos a seguir e
comunicando assim que eles forem cumpridos.
Quando se fala em desconexão eletrônica, diz-se sobre a
técnica de suspender o uso de redes sociais de todos os tipos durante a
jornada, assim como a leitura de jornais e de notícias do Brasil ou de sua
região.
Se não fizer isso, bloqueia-se o aprofundamento individual
no processo terapêutico do caminho, assim como o espaço de trabalho mental aos
insights e reformulações de pensamentos, emoções e sentimentos.
Não é fácil fazer essa desconexão, mas ela deve ser feita
aos poucos, dia a dia, até conseguir eliminar voluntariamente o acesso a
qualquer informação advinda de sua vida deixada em suspenso.
Essa pausa, esse break existencial, se faz necessário a quem
se propõe a vivenciar ao máximo o que o caminho tem a lhe oferecer. Informações
advindas do seu mundo, irão conflitar e sobrepujar o processo cognitivo em
curso.
Pessoas viciadas em meios eletrônicos, especialmente em
redes sociais, devem fazer um trabalho prévio de desconexão. Tal iniciativa
colaborará quando da chegada ao caminho.
Para quem sente falta de informações, será a hora de
produzir seus próprios conteúdos ao ligar o computador ou o smartphone. Ou
seja, comunique-se com a pessoa de referência escolhida para acompanhar à
distância sua evolução, mas pedindo a ela que também não sirva de emissária de
notícias da sua vida.
Quanto menos você souber melhor. Claro que, ao deixar isso
combinado, estabeleça as situações de emergência profissional ou pessoa, que
poderão ser informadas, em caso de necessidade urgente.
Fora essas, evite saber coisas do cotidiano, que só servirão
para retirar você do seu processo terapêutico em curso, podendo até funcionar
enquanto defesas inconscientes de necessários enfrentamentos próprios e íntimos
a serem autocontemplandos e auto-analisados.
Por outro lado, é importante você acessar informações sobre
o próprio caminho. Verificando todos os dias as condições dos trajetos a
seguir, a previsão do tempo e outras informações relevantes.
Pode-se também entrar ainda mais na vibe do processo, lendo
sobre outras experiências, assistindo vídeos e relatos vivenciados. Isso ajuda
ao seu inconsciente a montar sequências de novas experiências e também serve
para você balizar e entender o que está acontecendo com você em termos
introspectivos.
A adição eletrônica pode gerar uma recaída. Tente evitar e
se conscientizar de todo o investimento que está sendo feito para vencer e
tirar o máximo proveito da experiência.
Quando vier a necessidade, escreva no seu diário de bordo do
caminho sobre isso e tente identificar o que está por trás dessa necessidade de
acessar informações da sua vida.
Ao fazer o caminho de Santiago, você perceberá que não
precisa de tantos aparatos eletrônicos e de tanta comunicação instantânea para
viver. Aos poucos, poderá ir rompendo com essa forma de vício em sua vida e se
centrando novamente.
Você não vai ver pelo caminho alguém andando e consultando
seu celular na mão. O processo físico extenuante irá conduzir sua consciência à
introspecção e ao seu centro pessoal, não há espaço às redes sociais no
caminho.
Outra coisa, durante as paradas, manter-se conectado eletronicamente
significa desconectar-se dos peregrinos à sua volta e das trocas e das
sincronicidades de pensamentos de que com eles poderia estar a compartilhar.
Isso recupera a importância presencial das pessoas e da
própria percepção do indivíduo consigo, seu corpo e sua sensibilidade
existencial e ao meio à sua volta.
Como dizia Jung, o centro do equilíbrio indivíduo está em
seu self, é algo interno, o que está externo a ele, devem servir ao seu maior
equilíbrio e não a sua dependência para se equilibrar.
Recuperar esse senso de inteireza pessoal e íntima, a partir
da desconexão eletrônica no caminho faz parte do processo terapêutico em curso.
Nesse sentido, a importância de deixar de lado a vida cotidiana e seguir a
jornada proposta.