Toda neurose parte
de uma escolha pessoal por algo que lhe dá alento, suporte, em substituição ao
desprazer das exigências da vida civilizada. Na neurose escolhida faz-se uma
adaptação de suporte da realidade estressante vivida, por mecanismos
compensatórios.
Neuroses são as “sombras”
subjetivas de nossas vidas em civilização e não há nada de errado em ser
“neurótico”. Como cada neurose faz parte de uma escolha adaptativa de suas
sombras em sociedade, cada qual escolhe uma, dentre várias portas a seguir.
O cerne da Terapia
Analítica Junguiana leva em consideração a necessidade de individuação, pelo
atingimento equilíbrio e centramento do self, o que se faz a partir da
consciência das sombras neuróticas existentes na sua personalidade.
Após a desconexão e
a introspecção, o Caminho torna-se um espaço fértil ao conhecimento das
próprias sombras e logo, a noção de seu espaço terapêutico. Quando se descobre
as sombras pessoais, passa-se a saber um pouco mais sobre os mecanismos individuais
de realização neurótica e daí passa a ser possível traçar estratégias de evolução
da estrutura da personalidade, para além do que foi vivenciado.
Tudo pode ser melhorado
na vida, desde que se saiba o que se possui em sua estrutura da personalidade,
daí que isso deixa de ser uma sombra e passa a ser algo consciente, a ser individualizado.
Quem está centrado,
como já dizia Jung, está em equilíbrio dinâmico e mentalmente saudável. Excessos e radicalismos não lhe atingem mais, pois tais sombras da
personalidade já foram superadas ou atenuadas. Por exemplo, o
promíscuo é correlato do reprimido demais. Apesar de cada um estar em polos
diferentes da sexualidade, ambos são extremos em desequilíbrio.
O
centramento significa, então, um processo terapêutico de balanceamento das
forças e das pulsões da vida e da morte, até se chegar a um equilíbrio central
possível e satisfatório. Por exemplo,
alimentar-se é algo necessário à vida, logo, há uma pulsão de vida a quem
enaltece o valor da alimentação, sabe valorizar os melhores alimentos e
celebrar cada refeição por seu momento de nutrição corporal. Isso seria um
ponto de equilíbrio.
De outro modo,
alimentar-se em excesso de prazer (pulsão de vida), pode virar uma pulsão de
morte, ao adentrar ao campo das sombras, quando o alimento é utilizado para
sufocar o mal-estar existencial, ingerindo-se quantidades excessivas, de
maneira compulsiva.
Uma vez
identificada as pulsões de sua sombra, será possível, mudar-se as opções
neuróticas a favor de novas posturas em prol do melhor. Só isso, já gera uma
abertura à propriocepção do equilíbrio e bem-estar.
Utilize o espaço
terapêutico da Psique do Caminho de Santiago da Compostela para identificar
suas sombras e, durante a introspecção reflexiva, procure começar sozinho a
fazer suas próprias superações.
Durante a jornada,
pergunte-se: o que precisa ser feito para que eu saia de um plano neurótico
indesejado e adentre a uma nova zona de conforto e equilíbrio? Uma das formas de
canalizar energias existenciais que foram castradas pela vida em sociedade, está
na sublimação, tida por Freud, como a única cura dinâmica.
Cura dinâmica pois,
assim como a vida se faz em movimento, o equilíbrio, para ser mantido, requer
estar em contínua atividade. Sublimação, então, é algo contínuo, ativo, requer
movimento, requer o caminhar.
Quando você aceita
ao chamado do Caminho de Santiago de Compostela, está a canalizar suas energias.
Tais saídas sublimatórias avançam naquele espaço engrandecedor da realização da
vida, quando o que se faz vai além de suas necessidades materiais e atingem
realizações culturais, espirituais e de alto valor social.
O Caminho pode
levar o peregrino a insights e pensamentos sobre a vida, a existência, a
natureza e a humanidade, a gerar um novo espaço de realização. Se isto acontecer
durante a sua jornada, fique atento aos insights e anote as ideias do que você
poderia realizar em termos de sublimação em sua vida cotidiana.
Mudanças não
precisam algo grandioso, mas precisam ser factíveis de serem alcançadas passo a
passo. Algo que você possa fazer e efetivar de maneira simples e que vá
avançando aos poucos dentro do mantra: “O MELHOR DE TUDO, O MELHOR PARA TODOS”.
