Trata-se de você, quando estiver motivado e confortável a enfrentar um trauma existente, sentar-se à beira de qualquer dos pequenos cursos de água do Caminho de Santiago de Compostela e meditar.
Foque nos sons, no
barulho e na força das águas e como aquilo é fluido e incessante. Visualize seu
trauma ali naquelas águas, de forma que ele vá aos poucos se dissolvendo e
sendo levado pela correnteza.
Não tenha pressa,
deixe a água fluir e peça internamente que aquele sentimento ruim seja levado
junto com o fluxo. Não se precisa esquecer o que aconteceu, precisa-se sim,
apenas se livrar do incômodo a sentir.
Deixe a água abrande
as sensações, que as memórias fiquem indolores, que prevaleça sobre elas a
imagem daquele dia de luz sobre o Caminho. Nesse momento, comece a focar sobre
o seu bem-estar.
Respire
profundamente e sinta o aroma do vento, a umidade do local, veja a beleza da
natureza intocada à sua volta e como ela estava sendo percorrida ali, há mil
anos atrás e como lá estará nos próximos mil anos.
Produza, agora, um
profundo sentimento de fluidez, de como tudo existe numa dinâmica contínua e
interminável. Enalteça a oportunidade de estar ali, por estar vivo e poder
viver aquele momento de paz e tranquilidade perante a Psique do Caminho, a
enfrentar seus traumas.
Comece, em seguida,
a fixar em sua memória aquele momento de bem-estar, em como aquela cena se
desenrola. Procure guardar detalhes do local. Diga ao seu inconsciente que, quando
se sentir incomodado novamente, aquela imagem deve ser acessada para se refazer
imediatamente o equilíbrio.
Doravante, quando
vier à tona novamente os sentimentos daquele trauma vivido, evoque
meditativamente esse dia sobre o Caminho, a servir de mantra às suas meditações
e porto seguro ao seu bem-estar, toda vez que assim precisar encontrar seu
centro de paz e equilíbrio novamente.