quinta-feira, 10 de maio de 2018

Diário de Bordo

É importante reservar tempo antes de dormir para fazer as anotações sobre suas vivências, pensamentos e sentimentos observados na jornada diária do Caminho. Isso ajudará ao desenvolvimento do processo terapêutico durante a imersão na Psique do Caminho.
Primeira Noite no Caminho, Primeira Anotação no Diário de Bordo
O diário poderá ser redigido em meio eletrônico ou impresso. Veja o que estará mais adequado à sua logística de transporte de peso. Porém, considere este um item essencial a ser elaborado no dia a dia da jornada.

Escrever é essencial para a contínua rememoração e organização dos pensamentos vivenciados durante o dia. Sem escrever, muito será perdido e você não terá um conjunto de dados do que se passou no Caminho.

Há situações em que, só durante o momento das anotações é que você recordará de certos pensamentos e insights vividos durante o dia. Evita-se assim, os processos mentais defensivos, resistências e repressões, que podem passar desapercebidos, especialmente sobre assuntos delicados de sua vida.

O ideal é escrever pela noite, sempre em horários parecidos, dia a dia da jornada. Com o passar dos dias, isto vira hábito e deixa de ser obrigação. Além disso, estará a fixar uma rotina mental de elaboração psíquica. Para os mais espiritualistas, será o momento de acessar à egrégora do Caminho. 

Portanto, de nada ainda escrever um dia e abster em outro, pois isso quebraria a rotina e retira o condicionamento mental/emocional/espiritual, necessários à análise dos conteúdos vivenciados.

Em autoterapia, a reflexão escrita é um dos mecanismos introspectivos mais úteis ao processo terapêutico. Nesse sentido, o ato de escrever movimentará toda a sua mente (memória, atenção, emoções e sensações) por meio do qual emergirão os conteúdos importantes à sua elaboração psíquica.

Isto colabora também para a atenção durante a jornada diária, quando então você passa a dizer a si mesmo que, durante a noite, retornará a pensar sobre o assunto e que vai anotar tudo.

Por isso, há que se ficar atento a todos os pensamentos e sentimentos advindos durante o trajeto. De coisas boas às ruins, lembranças neutras e mesmo aqueles sem sentido, devem ser objeto de retrabalho introspectivo durante as anotações noturnas no diário.

Por exemplo, pensou em alguém exatamente quando sentia um aperto no peito ou quando estava lembrando de algo importante durante o trajeto, guarde essa memória para análise e transcrição no diário.

Depois de anotar esses fatos (como, quando e onde), comece a segunda parte subjetiva da análise pessoal noturna. Reflita e faça suas ilações analíticas a esse conteúdo. Respire profundamente e tente mentalizar-se acessando à Psique do Caminho (sua alma). Então pergunte-se: qual o sentimento isso trouxe e qual o significado a ser entendido?

Veja o que vem à cabeça nesses momentos e faça as anotações por associação livre. Não reprima nada que vier, escreva tudo, conforme as ideias forem surgindo. 

Por seu turno, sonhos também deverão ser anotados. Pesadelos e coisas desagradáveis também, uma vez que trazem à tona conteúdos reprimidos, a serem entendidos e ressignificados.

Em face de sua conexão à Psique do Caminho, em seu processo de transmutação em busca de sentido existencial, desses registros muitas outras respostas poderão ser construídas após seu retorno da jornada.

Insights de novas ideias, novos projetos de vida, tudo isso deve ser anotado, com os detalhes que vierem à sua cabeça. Momentos de bem-estar, ou até mesmo em epifanias de intensa alegria ou emoção (e olha que elas acontecem mesmo no Caminho), podem ser indícios de extravase de conteúdos inconscientes relativos à liberação de pulsões de vida represadas.

Devido ao cansaço e à longa extensão das jornadas, por vezes, chega-se exausto e deixa-se até mesmo de registrar os pensamentos mais importantes resultantes da reflexão durante o dia da jornada.

Se estiver cansado, procure, ao menos, transcrever por escrito as principais observações do dia. Anote os tópicos gerais daquilo que for mais importante. 

Faça isso para garantir a continuidade do processo terapêutico, especialmente em questões essenciais, as quais, futuramente pretenda obter vários apontamentos válidos a decisões e mudanças de vida. Como serão apontamentos diários, alguma falta de coesão pode transparecer num primeiro momento. 

Entretanto, no futuro, quando checar o conjunto das anotações, poderás ter uma visão geral do todo e dar alguma concatenação lógica a esses achados produzidos em autoterapia.

Assim como fez Paulo Coelho, no “Diário de um Mago”, a sua experiência individual é valiosa demais e precisa ser anotada e registrada com detalhes, podendo até servir para você divulgar em um blog ou até em livro e, assim, contribuir aos demais peregrinos do Caminho.

O diário de bordo será um documento que atesta sua vitória imersiva perante a Psique do Caminho. Ao retornar à sua vida cotidiana, guarde-o com carinho, para que sempre possas “repisar” mentalmente suas vivências e assim, acessar e aprofundar as análises do seu processo de transmutação em contínuo curso após o Caminho.