A inconsciência
afetiva na Era dos Amores Líquidos é gritante. Muito se fala sobre amor, muito
se sabe sobre tudo relacionado ao afeto, mas a cada dia que passa, pouco se
sabe em termos de sustentabilidade afetiva dos relacionamentos.
Na
Era dos Amores Líquidos, do consumo do outro, da promiscuidade sem limites e das
fantasias inalcançáveis, surge um contraponto para quem faz o Caminho, que é o
retorno à alteridade amorosa basal. Durante
os momentos de introspecção e isolamento vivenciados no Caminho de Santiago, haverá
espaço suficiente para que se possa refletir sobre isso.
Para tanto, acompanhado
ou sozinho, será importante focar-se durante a jornada diária, visando uma
introspecção maior de sua própria condição sentimental. Amar não é ser
servido por um amor maior. Amar é servir reciprocamente ao que o outro seja
maior. Permitir que isso ocorra ou, ao menos, refletir sobre o nível atual de
sua afetividade durante a jornada, levará a uma revisão das suas formas de amar
e relacionar-se sustentavelmente.
Por outro lado, o Caminho
pode também contribuir para se acalmar o coração e dar voz às próprias
necessidades de centramento afetivo, especialmente a quem enfrentou o luto de
uma perda relacional importante.
Nesses casos, o
desapego emocional é importante, pois estará em curso uma reconstrução íntima
da vida a ser seguida, sob nova estruturação individual pela frente. Poder-se-á
revisar essa perda enquanto desapego emocional e, ao mesmo tempo, abrir-se à construção
de novas oportunidades, para os amores que virão.
O Caminho, passa
então a ser um espaço de refazimento do luto afetivo vivenciado e que pode
permitir ao peregrino novos patamares de encontro, em reconexão e abertura para
as novas oportunidades afetivas.
De todo modo, quem
está nesta jornada da alma, entrará em alguma forma de contato com seus dilemas
de afeto, pois isto faz parte da terapêutica da Psique do Caminho.
E se algum amor raro aparecer pelo caminho, porque não? Quem sabe, pode ser um encontro inesperado, aquele momento raro do destino em sua vida.