A mochila, sem
dúvida, é um dos símbolos dos peregrinos do Caminho de Santiago e fará parte do
acervo de objetos essenciais de imersão ritualística na jornada. Durante o caminho,
você verá de tudo, pessoas com mochilas grandes, de 80 litros, com mochilas
médias de até 50 litros, menores ou sem mochila. Quem vai de bicicleta, tem a
vantagem de instalar alforjes e colocar as coisas ali.
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| A vermelha, Deuter, mais leve, excelente, porém mais cara. Acabei comprando a azul, mais barata, porém, mais pesada. |
Sem dúvida, essa é
a versão mais confortável para se fazer a jornada. Se isso for feito, pode-se
até optar por levar uma mala média, com suas roupas, calçados extras para ir
despachando a cada dia, a cada trecho.
Pode ainda, optar por
despachar as mochilas ou os alforjes da bicicleta somente em dias de maior
cansaço ou em trechos que saberá ser mais exaustivos. Por exemplo, quando for
enfrentar trajetos de subida ou descida. Isto pode ser recomendado para se proteger
os joelhos e a coluna. Nesse caso, leva-se consigo somente uma mochila pequena,
com itens de valor, de higiene e alguma roupa.
A desvantagem de
despachar as coisas é que terás de agendar hospedagens privadas
antecipadamente, fora dos albergues municipais/paroquias, pois estes só aceitam
hóspedes por ordem de chegada, a partir de determinado horário do dia e por uma
noite somente.
Outra desvantagem
de despachar diariamente as bagagens é que deverá obrigatoriamente percorrer o
trajeto planejado para o dia, não podendo parar em caso de necessidade de uma
tempestade, por exemplo, ou caso ter encontrado um local ou pessoas legais com
quem se afinizou naquele dia, pois suas bagagens serão entregues onde agendou
previamente pretender chegar.
Para os mais
despojados que vi, uma mochila de estrutura leve, entre 40 a 50 litros é o
suficiente para levar “tudo”
o que se necessita e poder avançar com o mínimo por toda a jornada do caminho,
sem despachar nada.
Veja, esse “tudo”
significa fazer escolhas limítrofes e reduzir ao máximo sua carga. Há até aqueles
que levam prendedores e penduram as roupas nas mochilas durante a caminhada,
para secar.
40 a 50 litros
dizem respeito a mochilas médias e nessa categoria estão mochilas superleves,
feitas com materiais especiais. É um investimento alto, mas que pode ser
interessante para quem vai caminhar por um mês ou mais. Lembre-se, cada quilo
carregado no começo da jornada passa a representar psicologicamente o dobro ou
mais ao seu final, em termos de percepção corporal.
Não se recomenda as
mochilas grandes, com mais de 60 litros. Salvo se você tiver coluna e joelhos
de aço, os efeitos dessa carga em atividades físicas intensivas e contínuas,
não é nada recomendável, por vários dias a fio.
No Caminho Francês,
que fiz de bicicleta, utilizei os alforjes e foi muito satisfatório contar com
eles, pois na bicicleta não se deve pedalar com uma mochila média ou grande nas
costas, por questões de segurança viária. Outrossim, em dias de subida pesada, optei
por despachar os alforjes por uma empresa de transportes.
No Caminho
Português, que fiz caminhando sozinho e depois acompanhado, acabei por comprar uma mochila
de 50 + 10 litros. Ou seja, uma mochila média que tinha uma parte extensível de
mais 10 litros. Não era daquelas superleves, logo, paguei mais barato por isso
e me serviu bem para os sete dias de jornada, nos mínimos de 100 Km elegidos.
Levei uma mochila
menor dentro dela. Assim, nos dias de maior exigência física, despachei a maior
e levei a menor com as coisas pessoais. Nos dias mais tranquilos, guardei a
menor dentro da maior e caminhei com a grande.
Para reduzir o
peso, levei somente um calçado e isso foi problemático, pois como encarei
vários dias de chuva no Caminho Francês, tive que dar um jeito de seca-los a
cada dia. Por isso que, em vez de outro calçado, muitos levam uma “papete”
(sandália de caminhada). Este modelo de
sapatilha serve tanto de chileno nas paragens, seca rápido e pode ser usada em
emergências nas caminhadas, desde que acompanhada de uma meia dupla ou grossa,
para não machucar os pés.
Outra coisa
essencial é o saco de dormir, daqueles bem leves, para forrar a cama e proteger
do clima nos albergues, já que não são fornecidos lençóis. Além
disso, uma toalha daquelas pequenas e ultra absorventes, vendidas em casas
especializadas de esporte ou montanhismo, são essenciais para não carregar
peso. Elas absorvem bem, são leves e secam rápido.
Roupas íntimas,
apesar de não ocuparem espaço, podem ser levadas também em quantidade reduzida,
desde que se faça a lavagem delas após cada uso, nas paragens. Uma calça jeans
e uma calça de abrigo são importantes, mas se pode optar por somente uma delas. Não se esqueça de
levar algumas peças de roupa para dormir e alguma para uma atividade social
durante o caminho, sair para jantar a noite ou passear pelos vilarejos.
Quem vai de
primeira vez, pode ficar um pouco receoso com a quantidade de roupas a levar. O
importante é verificar a época do ano e as condições climáticas que terá pela
frente, ao fazer a seleção do que cabe na mochila.
A dinâmica da escolha do que carregar na mochila faz da sua introdução prévia na Psique do Caminho. Quando começar a preparar a sua mochila já poderá prestar atenção no início da dinâmica psíquica de sua jornada. Mantenha o foco e as percepções atentas.
