Falando em questões
humanitárias ou de melhoria da vida planetária, quem for fazer o Caminho de
Santiago na primavera ou no verão, em algumas regiões agrícolas, será
incomodado com o cheiro dos venenos (agrotóxicos) das plantações, em vinícolas
e outros cultivos de frutas.
É bastante forte,
incomoda e não há como fugir. Bem na hora da caminhada, cedo pela manhã, é que
os agricultores estarão borrifando as plantas com esses produtos químicos, bem
ao lado das trilhas do Caminho.
Isso quebra um
pouco aquela ideia bucólica e de pureza ambiental da Europa. Apesar do uso de
pesticidas e herbicidas ter controles mais rigorosos do que no Brasil, ainda
assim, tais produtos não deixam de ser agrotóxicos.
Caso queira, leve
uma máscara para evitar inalar esses produtos em quantidade. Jamais colha
frutas do pé, cerejas e uvas, facilmente acessíveis pelo caminho, uma vez que
estarão impregnadas desses produtos.
Há até avisos dos
próprios agricultores nesse sentido, alertando os peregrinos e os riscos de se
ingerir as frutas recém-borrifadas com os agrotóxicos.
Lembre-se, além de ser furto, mesmo depois de borrifadas, há um período de carência química, até que esses
produtos percam grande parte de sua ação e possam então ser comercializados
para consumo humano.
Por seu turno, isso
me levou durante a jornada pelo Caminho a refletir sobre o atual modelo
insustentável de produção e consumo da humanidade. Pessoas demais, consumo
demais, desejos demais, tudo aquilo que contraria a vibe que o peregrino irá
vivenciar pelo Caminho.
Cabe a todos nós,
uma reflexão sobre os excessos de consumo e seu impacto sobre a destruição do
planeta. Após a 2.ª Grande Guerra Mundial, dizia-se que a humanidade morreria
de fome, pelo seu crescimento vegetativo descontrolado, mas os venenos evitaram
isso.
Agora são
modificações genéticas aliadas aos venenos, a saída para se aumentar a produção
de alimentos e atender aos mercados asiáticos, cada vez mais sedentos e sem
limites na expansão superpopulacional.
Todo peregrino que
se propõe a buscar um novo sentido existencial no Caminho, deve-se se colocar
em análise introspectiva sobre seu legado, sua pegada pessoal, seu impacto
existencial sobre o planeta.
Não haverá vida
humana futura no planeta, sob as condições de expansão atual. Sem uma mudança
de rumo, de cultura e de nível de discernimento global, estaremos fadados à
extinção por vias climáticas ou conflitivas.
Repensar isso
durante o Caminho de Santiago, especialmente durante as caminhadas rurais, ao
respirar diretamente o veneno das plantações, poderá dar uma ideia de como se
está agredindo o planeta para manter uma situação humana insustentável no longo
prazo.
Todo peregrino irá
viver diretamente as necessidades do “Minimalismo Existencial” em sua jornada.
Carregar somente o necessário, abandonar o que não for preciso. Está é uma
aprendizagem diária em que estiver imerso perante a Psique do Caminho.
O segundo passo,
será focar-se nas reflexões sobre o Biocentrismo, sobre o fato de que não somos
os legítimos proprietários do planeta. Há outras formas de vida, igualmente sujeitos
de direito dessa jornada existencial. Logo, aproveite os venenos para refletir
sobre isso.