No albergue, você
troca sua privacidade por economia e convivência coletiva. Geralmente, um público
mais jovem tende a frequentar albergues turísticos pelo mundo. Diferentemente,
no caso do Caminho de Santiago de Compostela, haverá um grande número de
peregrinos de todas as idades nos albergues desta jornada.
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| Albergue com cortinas nos beliches |
Existem três tipos
de albergues no Caminho: os públicos (municipais), os paroquiais e os privados. Nos públicos e nos
paroquiais, a estrutura é mais espartana e não se pode fazer reserva prévia. A
lotação se faz por ordem de chegada, sendo aceitos peregrinos a partir das 12
ou 13 h, com obrigação de partir até as 10 h do dia seguinte.
A preferência de
entrada, a partir do horário pré-definido de acesso, é de primeiro alojar os
caminhantes, depois os bicigrinos. Não se pode retornar ao albergue no dia
seguinte e se paga uma contribuição de pequeno valor (até 10 Euros) pela
hospedagem nos albergues públicos. Não há roupa de cama ou banho. Deve-se levar
a sua e/ou um saco de dormir para cobrir os colchões.
Alguns albergues têm
locais para guardar as bicicletas, mas poucos tem espaço para cavalos. Nos albergues
privados, a estrutura é melhorada, assim como um preço mais elevado (10 Euros
ou mais). Você poderá fazer reservas prévias, pagar em cartão de crédito e
ainda utilizar as cafeterias e restaurantes próximos ou dentro do próprio
estabelecimento.
Em todos os tipos
de albergues predominam os quartos coletivos, onde se tem que compartilhar o
mesmo espaço em beliches, ora mistos, ora com quartos para cada um dos sexos.
Há albergues com quartos
coletivos de até mais de cinquenta beliches. Alguns terão armários com chave
para você guardar as coisas, porém, na maioria deles você deverá manter suas
coisas consigo, a todo momento.
Em locais mais
rústicos, em certos albergues paroquiais na região rural do caminho, há que se
colocar o saco de dormir no chão e ali se ajeitar para dormir. Não há beliches,
nem colchões, mas todos recebem os peregrinos de braços abertos em grande parte
do ano todo (atenção: uma parte deles fecha no inverno).
Ficar ou não em um
albergue coletivo é uma opção financeira. Um quarto individual numa pensão ou
hospedagem privada vai sair, no mínimo, pelo dobro do preço de um albergue
equivalente. Um quarto em hotel, com banheiro privativo, o triplo ou mais.
Mas ficar no
albergue coletivo também é uma opção vivencial, em prol da convivência com os
companheiros. Isso terá reflexos diretos em relação ao processo terapêutico
vivido perante a Psique do Caminho.
Com o mínimo de
privacidade, no albergue requer-se dividir a experiência do Caminho com os
outros peregrinos. Alguns chegam nos quartos coletivos falando alto, outros
espalham as coisas, outros roncam, alguns trocam as roupas na sua frente. Tudo
isso será compartilhado e você terá que se adaptar às diferenças.
Ainda com relação à
privacidade, europeus não tem muito problema com a exposição íntima, podem circular
de roupas íntimas sem problemas. Seu contexto de intimidade é diferente do nosso
e não haverá conotação sexual nestes momentos, basta virar para o lado e ficar na
sua.
É muito interessante
interagir com as pessoas encontradas nos albergues. Logo poderá observar sincronicidades
nos assuntos, nos trejeitos entre os peregrinos e a empatia pela companhia de jornada.
Outro detalhe das
sincronizações, está nos acoplamentos dos tempos das rotinas do dia. Geralmente
nos horários de jantar, dormir e acordar, você perceberá que terá sono, fome e
despertará com o grupo.
Quanto aos
sentimentos, é aí que a coisa ganha mais sentido terapêutico. É comum haver
também uma afinização de sentimentos do grupo e isso acaba por interferir de
alguma maneira em seu contexto individual.
