Especificamente para
adentrar à Espanha, existem três possibilidades principais de trajetos a serem
cumpridos na jornada do peregrino, cada qual com suas peculiaridades e
desafios. Dentro de Espanha, há duas outras possibilidades (Caminho Primitivo e
Via Platina). Fora da Espanha, os
caminhos acompanham às rotas nacionais de cada um dos países europeus, por meio
das quais os peregrinos chegarão a um dos três principais caminhos existentes
dentro da Espanha.
Os
mais conhecidos caminhos são o Francês e o Português, assim chamados em razão
da origem das rotas nacionais que desaguam na Espanha, para então convergir até
a cidade de Santiago de Compostela. O trecho espanhol
do Caminho Francês é o mais percorrido e famoso. Tem sua saída na França na
cidade de Saint Jean Pied de Port e logo adentra à Espanha em Roscenvalles, que
fica nos Pirineus. A primeira grande cidade espanhola neste caminho é Pamplona.
Para chegar a Saint
Jean Pied de Port há que se pegar ao menos um taxi desde Roscenvalles. Muitos
peregrinos optam por começar a jornada em Pamplona, mas perde-se a bonita passagem
pelos Pirineus.
Quem não tem
condições de percorrer esses cerca de 800 Km (desde SJPP) e quer percorrer o
trajeto mínimo do Caminho Francês a se obter a Compostelana ou Compostella,
deve iniciar a jornada caminhando em Sarria (102 Km) ou pedalar desde
Ponferrada (203 Km).
O Caminho Português
é outro dos caminhos muito utilizados por brasileiros. Parte dos peregrinos
iniciam sua jornada nesse caminho pelos mínimos desde as cidades do Porto (220
Km) ou Valença do Minho (120 Km). No Caminho
Português, a primeira cidade espanhola, por quem avança por Valença do Minho, é
Tui (104 Km). Basta sair da fortaleza de Valença, atravessar a ponte que se
chega a Tui (a vista é belíssima).
Outra opção, vindo
da França, está em adentrar ao ao Caminho do Norte, que se inicia na cidade na
espanhola chamada Irún, divisa com a francesa Hendayne. Dali segue pelo país
basco, percorrendo todo o belo litoral norte de Espanha até se unir ao Caminho
Francês em Arzúa.
No Caminho Norte há
uma derivação ao interior, em Oviedo até Arzúa, chamada de Caminho Primitivo, no
qual se percorre trilhas de pedra de maior dificuldade de avanço, especialmente
para bicicletas.
A Via da Platina é
o caminho dentro da Espanha advindo do Sul. Inicia-se em Sevilla e pode avançar
até Astorga, no Caminho Francês, ou enfrentar outra derivação em Granja de la
Moreruela, em direção à Santiago de Compostela.
Em termos de opções
de hospedagem e alimentação, sem dúvida o Caminho Francês é mais servido de
estrutura. Em termos de custos, todos se equivalem. Em termos de segurança, são
parecidos, não obstante, como a presença de pessoas é maior no Francês, a
sensação de segurança é maior.
Como fiz os dois
caminhos, Francês de bicicleta e Português caminhando, digo que ambos são bem
interessantes a serem percorridos, estão bem sinalizados e não há como se
perder nessas rotas, salvo no inverno.
Nos mínimos de
bicicleta pelo Caminho Francês, além de Ponferrada, os locais bons de paragem
são, na sequência: Vila Franca de Bierzo, Triacastela, Sarria, Portomarin,
Palas de Rei, Arzua e O Pedrouzo.
Nos mínimos de
bicicleta pelo Caminho Português, além do Porto, locais bons de paragem são, na
sequência: Viana de Castelo, Valença do Minho, O Porriño, Redondela,
Pontevedra, Caldas de Reis, Padrón.
Todos esses locais
ficam nas rotas principais desses caminhos e tem alguma estrutura mínima em
termos de hospedagem, alimentação, caixas automáticos de bancos e mercados.
Suas distâncias são compatíveis com jornadas diárias de caminhada de até 30 Km.
Não existe um Caminho
melhor. Existe o seu caminho a partir do seu chamado realizado. Todos são
belíssimos e podem ser cumpridos geralmente de abril a outubro de cada ano. De
novembro a março, há rotas que ficam intransitáveis devido à neve e, em alguns
casos, até são fechadas pelas autoridades locais.
Se estiverem
fechadas, não insista em ser o próximo “Padre do Balão”. Todos os anos há
mortes aos destemidos aventureiros de pouco cérebro e muita imprudência emocional
com a própria vida, nessas épocas de frio intenso (vários brasileiros, inclusive).
Masoquistas em
penitência ou suicidas? Analise suas pulsões de morte se estiver neste grupo de
pessoas e tiver essa demanda inconsequente de “vencer” (ou ser vencido?) pelo Caminho
em condições de extremo frio invernal, com neve, nevascas e sinalização
encoberta.
Quem tem condições
de viajar nos meses de maio ou setembro, pega o período da baixa estação na
Europa, paga melhores preços em passagens aéreas, fica nos melhores albergues, vê
as trilhas mais tranquilas, anda ou pedala com temperaturas mais frescas e agradáveis.
É nossa época preferida para as jornadas terapêuticas, pois a presença de
condições temporais agradáveis colaborará com sua imersão na Psique do Caminho.
Quem somente pode
ir na alta estação, nos meses de junho, julho e agosto, deve redobrar sua
paciência e estar preparado para o calor intenso pelos Caminhos. A insolação é
forte e as temperaturas podem chegar facilmente para cima dos 30 graus Celsius,
com trilhas cheias de peregrinos e “turisgrinos” para todos os lados.
