segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Qual Caminho Fazer?

Especificamente para adentrar à Espanha, existem três possibilidades principais de trajetos a serem cumpridos na jornada do peregrino, cada qual com suas peculiaridades e desafios. Dentro de Espanha, há duas outras possibilidades (Caminho Primitivo e Via Platina). Fora da Espanha, os caminhos acompanham às rotas nacionais de cada um dos países europeus, por meio das quais os peregrinos chegarão a um dos três principais caminhos existentes dentro da Espanha.
Os mais conhecidos caminhos são o Francês e o Português, assim chamados em razão da origem das rotas nacionais que desaguam na Espanha, para então convergir até a cidade de Santiago de Compostela. O trecho espanhol do Caminho Francês é o mais percorrido e famoso. Tem sua saída na França na cidade de Saint Jean Pied de Port e logo adentra à Espanha em Roscenvalles, que fica nos Pirineus. A primeira grande cidade espanhola neste caminho é Pamplona.

Para chegar a Saint Jean Pied de Port há que se pegar ao menos um taxi desde Roscenvalles. Muitos peregrinos optam por começar a jornada em Pamplona, mas perde-se a bonita passagem pelos Pirineus.

Quem não tem condições de percorrer esses cerca de 800 Km (desde SJPP) e quer percorrer o trajeto mínimo do Caminho Francês a se obter a Compostelana ou Compostella, deve iniciar a jornada caminhando em Sarria (102 Km) ou pedalar desde Ponferrada (203 Km).

O Caminho Português é outro dos caminhos muito utilizados por brasileiros. Parte dos peregrinos iniciam sua jornada nesse caminho pelos mínimos desde as cidades do Porto (220 Km) ou Valença do Minho (120 Km). No Caminho Português, a primeira cidade espanhola, por quem avança por Valença do Minho, é Tui (104 Km). Basta sair da fortaleza de Valença, atravessar a ponte que se chega a Tui (a vista é belíssima).

Outra opção, vindo da França, está em adentrar ao ao Caminho do Norte, que se inicia na cidade na espanhola chamada Irún, divisa com a francesa Hendayne. Dali segue pelo país basco, percorrendo todo o belo litoral norte de Espanha até se unir ao Caminho Francês em Arzúa.

No Caminho Norte há uma derivação ao interior, em Oviedo até Arzúa, chamada de Caminho Primitivo, no qual se percorre trilhas de pedra de maior dificuldade de avanço, especialmente para bicicletas.

A Via da Platina é o caminho dentro da Espanha advindo do Sul. Inicia-se em Sevilla e pode avançar até Astorga, no Caminho Francês, ou enfrentar outra derivação em Granja de la Moreruela, em direção à Santiago de Compostela.  

Em termos de opções de hospedagem e alimentação, sem dúvida o Caminho Francês é mais servido de estrutura. Em termos de custos, todos se equivalem. Em termos de segurança, são parecidos, não obstante, como a presença de pessoas é maior no Francês, a sensação de segurança é maior.
Como fiz os dois caminhos, Francês de bicicleta e Português caminhando, digo que ambos são bem interessantes a serem percorridos, estão bem sinalizados e não há como se perder nessas rotas, salvo no inverno.

Nos mínimos de bicicleta pelo Caminho Francês, além de Ponferrada, os locais bons de paragem são, na sequência: Vila Franca de Bierzo, Triacastela, Sarria, Portomarin, Palas de Rei, Arzua e O Pedrouzo. 

Nos mínimos de bicicleta pelo Caminho Português, além do Porto, locais bons de paragem são, na sequência: Viana de Castelo, Valença do Minho, O Porriño, Redondela, Pontevedra, Caldas de Reis, Padrón.   

Todos esses locais ficam nas rotas principais desses caminhos e tem alguma estrutura mínima em termos de hospedagem, alimentação, caixas automáticos de bancos e mercados. Suas distâncias são compatíveis com jornadas diárias de caminhada de até 30 Km.

Não existe um Caminho melhor. Existe o seu caminho a partir do seu chamado realizado. Todos são belíssimos e podem ser cumpridos geralmente de abril a outubro de cada ano. De novembro a março, há rotas que ficam intransitáveis devido à neve e, em alguns casos, até são fechadas pelas autoridades locais. 

Se estiverem fechadas, não insista em ser o próximo “Padre do Balão”. Todos os anos há mortes aos destemidos aventureiros de pouco cérebro e muita imprudência emocional com a própria vida, nessas épocas de frio intenso (vários brasileiros, inclusive). 

Masoquistas em penitência ou suicidas? Analise suas pulsões de morte se estiver neste grupo de pessoas e tiver essa demanda inconsequente de “vencer” (ou ser vencido?) pelo Caminho em condições de extremo frio invernal, com neve, nevascas e sinalização encoberta.

Quem tem condições de viajar nos meses de maio ou setembro, pega o período da baixa estação na Europa, paga melhores preços em passagens aéreas, fica nos melhores albergues, vê as trilhas mais tranquilas, anda ou pedala com temperaturas mais frescas e agradáveis. É nossa época preferida para as jornadas terapêuticas, pois a presença de condições temporais agradáveis colaborará com sua imersão na Psique do Caminho.

Quem somente pode ir na alta estação, nos meses de junho, julho e agosto, deve redobrar sua paciência e estar preparado para o calor intenso pelos Caminhos. A insolação é forte e as temperaturas podem chegar facilmente para cima dos 30 graus Celsius, com trilhas cheias de peregrinos e “turisgrinos” para todos os lados.