Fazer o Caminho de
Santiago requer paciência. Paciência desde e até criar as condições ideais a
ter a oportunidade de responder ao chamado. Também
há que se ter paciência com os contratempos a serem vivenciados em forma de
aprendizagem durante o caminho, nos contratempos e nas diferenças, e diversidades nos encontros da jornada. Por fim, há que se ter paciência consigo e suas emoções.
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Porém, há picos,
especialmente nos meses de julho a agosto, quando é verão e férias na Europa.
Nesses momentos, poderá haver congestionamento de pessoas nas trilhas e isso
pode acabar com aquele ar bucólico e de isolamento, requisitado para a
introspecção na Psique do Caminho.
Nessas épocas de
alta, a saída, é investir num bom fone de ouvido, selecionar músicas clássicas
e tranquilas, para que se possa criar algum tipo de isolamento acústico,
visando evitar a intensidade de conversas alheias na sua meditação ao caminhar.
Se for de
bicicleta, uma saída, quando evitar congestionamentos, é optar deixar as
trilhas lotadas de lado e seguir pelo acostamento das autoestradas. Você também não
precisa fazer o popular, por vezes, o lotado do Caminho Francês na alta
estação. Pode-se optar alternativamente pelo Caminho Português ou o Norte (que vai
pelo litoral), geralmente menos frequentados e, portanto, mais favoráveis à sua
imersão psíquica.
Fora isso, há que
se reservar paciência quanto aos imprevistos. Reservando alguma folga, um dia
extra, para fins de superar com tranquilidade as ocorrências não esperadas.
Lembre-se, uma vez adentrado à Psique do Caminho, todas as ocorrências são
lições a serem vistas com atenção pelo peregrino pelas sincronicidades delas.
Paciência
é uma construção a ser adquirida, especialmente aos mais impulsivos ou
ansiosos. O Caminho está lá há séculos e não vai mudar, portanto, cultivar a calma
e a temperança são aprendizagens da jornada a serem colocadas em prática.
Saiba aproveitar a imersão
para avaliar seus posicionamentos e respostas emocionais às frustrações diárias,
à necessidade de ter controle de tudo e do tempo. Caminhar se faz
passo a passo, pedalada a pedala. Serão muitas pedaladas ou numerosos passos.
Isso requer deixar-se conduzir na dinâmica da Psique do Caminho, abrir do controle
ou da ansiedade em avançar rápido.
Aos poucos, com a
desconexão e o desapego das coisas materiais, ao se adentrar no processo psíquico
do Caminho, uma reconfiguração das velocidades das coisas ganhará nova configuração
em seu ser.
A pressa cederá
lugar à manutenção do ritmo. A ansiedade cederá lugar ao prazer da jornada. A
instintividade perderá espaço pelo total investimento das energias no processo físico
da jornada diária.
Assim, paciência não
só com o tempo até poder responder ao chamado. Paciência também com as dificuldades
que irá vivenciar diariamente perante os outros no Caminho. Paciência consigo e
com suas emoções, até que a Psique do Caminho traga mudanças em seu modo de ser
e observar a velocidade da vida à sua volta.
