segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A Arte da Paciência na Jornada

Fazer o Caminho de Santiago requer paciência. Paciência desde e até criar as condições ideais a ter a oportunidade de responder ao chamado. Também há que se ter paciência com os contratempos a serem vivenciados em forma de aprendizagem durante o caminho, nos contratempos e nas diferenças, e diversidades nos encontros da jornada. Por fim, há que se ter paciência consigo e suas emoções.
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Para se ter uma ideia, cerca de 300.000 pessoas fazem o Caminho de Santiago todos os anos. Tirando os meses em que grande parte do trajeto fica intransitável pelo excesso de neve, restam 09 meses úteis de peregrinação.

Porém, há picos, especialmente nos meses de julho a agosto, quando é verão e férias na Europa. Nesses momentos, poderá haver congestionamento de pessoas nas trilhas e isso pode acabar com aquele ar bucólico e de isolamento, requisitado para a introspecção na Psique do Caminho.

Nessas épocas de alta, a saída, é investir num bom fone de ouvido, selecionar músicas clássicas e tranquilas, para que se possa criar algum tipo de isolamento acústico, visando evitar a intensidade de conversas alheias na sua meditação ao caminhar.

Se for de bicicleta, uma saída, quando evitar congestionamentos, é optar deixar as trilhas lotadas de lado e seguir pelo acostamento das autoestradas. Você também não precisa fazer o popular, por vezes, o lotado do Caminho Francês na alta estação. Pode-se optar alternativamente pelo Caminho Português ou o Norte (que vai pelo litoral), geralmente menos frequentados e, portanto, mais favoráveis à sua imersão psíquica.

Fora isso, há que se reservar paciência quanto aos imprevistos. Reservando alguma folga, um dia extra, para fins de superar com tranquilidade as ocorrências não esperadas. Lembre-se, uma vez adentrado à Psique do Caminho, todas as ocorrências são lições a serem vistas com atenção pelo peregrino pelas sincronicidades delas.

Paciência é uma construção a ser adquirida, especialmente aos mais impulsivos ou ansiosos. O Caminho está lá há séculos e não vai mudar, portanto, cultivar a calma e a temperança são aprendizagens da jornada a serem colocadas em prática. 

Saiba aproveitar a imersão para avaliar seus posicionamentos e respostas emocionais às frustrações diárias, à necessidade de ter controle de tudo e do tempo. Caminhar se faz passo a passo, pedalada a pedala. Serão muitas pedaladas ou numerosos passos. Isso requer deixar-se conduzir na dinâmica da Psique do Caminho, abrir do controle ou da ansiedade em avançar rápido.

Aos poucos, com a desconexão e o desapego das coisas materiais, ao se adentrar no processo psíquico do Caminho, uma reconfiguração das velocidades das coisas ganhará nova configuração em seu ser.   

A pressa cederá lugar à manutenção do ritmo. A ansiedade cederá lugar ao prazer da jornada. A instintividade perderá espaço pelo total investimento das energias no processo físico da jornada diária.

Assim, paciência não só com o tempo até poder responder ao chamado. Paciência também com as dificuldades que irá vivenciar diariamente perante os outros no Caminho. Paciência consigo e com suas emoções, até que a Psique do Caminho traga mudanças em seu modo de ser e observar a velocidade da vida à sua volta.