O Caminho de Santiago é uma chamada antiga. Além de ser um patrimônio turístico da humanidade, representa a oportunidade de se retirar e voltar-se a si, ao seu interior, à psiquê (alma).
Enquanto caminho, que se faz
ao caminhar, apesar de tamanha redundância, tal dinâmica ativa é terapêutica. A
cada passo, o corpo tende a um dos lados, mas sempre em busca do movimento
contrário, essencial a ser atingir o equilíbrio dinâmica do processo.
Tais alas da psiquê, passos,
são apresentados em formas de pulsões, ou mecanismos multifatoriais que fazem o
ser humano avançar em sua experiência existencial. Para Freud, tal
bilateralidade é composta pelas pulsões de vida e de morte, nas quais ele
identificou a presença dos arquétipos mitológicos de Eros e de Thanatos.
Em Jung, tal leitura é feita
nos sucedâneos míticos de todos os teatros das ações humanas, pois tudo se
transforma e o caminho, nada mais é do que esse processo de contínua
transmutação.
Nossa leitura contemporânea do
Caminho de Santiago da Compostela será feita a partir do pensamento dos dois grandes
mestres da Psicanálise, os quais serão revisitados, em teorias e em matéria por
este projeto.
Como todo ritual de
passagem, há sempre um partir, quando a necessidade existencial de um novo
recomeçar se faça presente em face de algo que ficou no passado. Daí vem o
caminho com vista ao futuro retorno transmutado.
Nesse ciclo do percurso
dinâmico da vida, há luzes e sob desafios próprios em cada caso, inerentes às
possibilidades da capacidade de suporte do meio. Cada qual trilha o caminho que
lhe é possível acessar, exatamente ao alcance de suas pulsões. Trata-se de uma viagem
ao centro do self, como diria Jung, não só em buscas de respostas, mas também
em busca de sentido à existência.
