quarta-feira, 8 de junho de 2016

Um Projeto Antigo

O Caminho de Santiago é uma chamada antiga. Além de ser um patrimônio turístico da humanidade, representa a oportunidade de se retirar e voltar-se a si, ao seu interior, à psiquê (alma).

Enquanto caminho, que se faz ao caminhar, apesar de tamanha redundância, tal dinâmica ativa é terapêutica. A cada passo, o corpo tende a um dos lados, mas sempre em busca do movimento contrário, essencial a ser atingir o equilíbrio dinâmica do processo.

Tais alas da psiquê, passos, são apresentados em formas de pulsões, ou mecanismos multifatoriais que fazem o ser humano avançar em sua experiência existencial. Para Freud, tal bilateralidade é composta pelas pulsões de vida e de morte, nas quais ele identificou a presença dos arquétipos mitológicos de Eros e de Thanatos.

Em Jung, tal leitura é feita nos sucedâneos míticos de todos os teatros das ações humanas, pois tudo se transforma e o caminho, nada mais é do que esse processo de contínua transmutação.

Nossa leitura contemporânea do Caminho de Santiago da Compostela será feita a partir do pensamento dos dois grandes mestres da Psicanálise, os quais serão revisitados, em teorias e em matéria por este projeto.

Como todo ritual de passagem, há sempre um partir, quando a necessidade existencial de um novo recomeçar se faça presente em face de algo que ficou no passado. Daí vem o caminho com vista ao futuro retorno transmutado.


Nesse ciclo do percurso dinâmico da vida, há luzes e sob desafios próprios em cada caso, inerentes às possibilidades da capacidade de suporte do meio. Cada qual trilha o caminho que lhe é possível acessar, exatamente ao alcance de suas pulsões. Trata-se de uma viagem ao centro do self, como diria Jung, não só em buscas de respostas, mas também em busca de sentido à existência.