segunda-feira, 12 de março de 2018

O Ágape da Caridade

Segundo Freud, todo ser humano em sua essência psíquica quer principalmente duas coisas: “amar e ser amado”. Quanto se mira o foco da consciência na experiência do Caminho de Santiago, também se deseja isso. Talvez não com tal clareza direta, mas algo com fundo arquétipo que precisa ser entendido pelo peregrino.
O Caminho de Santiago é a porta interdimensional de uma busca existencial e por espiritualidade. Queremos ser aceitos e assim poder imergir na Psique do Caminho e dela atingir ao máximo daquilo que podemos nos desenvolver interiormente. Logo, queremos ser aceitos.

Assim, há algo de amor maior nesta aceitação arquetípica. Não se trata de um amor romântico, entre duas pessoas. É uma forma de amor que vai muito além. Para Jung, seria uma forma arquetípica “Ágape” de amar.

O amor “Ágape” é um afeto superior, sublime, sereno, que se materializa sem esperar nada em troca, pois é sua conexão espiritual é a característica maior. Não há dualidade no amor “Ágape”, ama-se por amar, faz-se algo sem esperar nada em troca, apenas em razão de poder daquela experiência participar ativamente.

Talvez seja isso o que todos esperamos ao imergir na Psique do Caminho de Santiago: sermos amorosamente aceitos, sem que se queira nada em troca, receber essa conexão espiritual com todo o acolhimento.

Porém, enquanto amor maior, atingir o nível vibracional do “Ágape” depende da sua capacidade de ressonância a ele. De certa forma, de produzir ações para assim também ressonar e poder a tal nível se qualificar.

Ou seja, só quanto você é também capaz de amar incondicionalmente, doar-se, abnegar-se em amor aos demais, terá condições de promover sua conexão a tal nível de aprofundamento à Psique do Caminho.

O caminho de fazer o amor “Ágape” florescer em sua psique está em assim conceder decididamente tal feito. O instrumento de sua materialização é a caridade. Queira você partir de suas convicções religiosas, espirituais ou apenas o desejo individual de atingir a essência de sua psique, a caridade é o meio ideal de evocar a conexão com a egrégora do amor “Ágape”.

Se o chamado do Caminho parece a você algo claro, deves começar pela caridade a sua preparação à futura jornada. Doe-se de sua maneira, dentro de suas possibilidades, dentro de suas condições atuais. Comece do básico, por exemplo, torne-se um doador de sangue. Isto não custa nada e pode ser feito a todos que tem os requisitos sanitários mínimos exigidos.

Se não pode doar sangue, doe alimentos ou doe seu tempo em alguma atividade voluntária. Colabore de alguma forma para o melhor em sua comunidade, sem pedir nada em troca, sem colocar exigências de seu ego.

Seja humilde, não espere reconhecimento, faça em sigilo, em comedimento, não brade suas ações para receber consideração social. Apenas faça, ajude, assista. Essa é a chave inicial de acesso a quem recebeu o chamado e deseja desde já sentir tal experiência, imergir em sua psique e adentrar à Ordem do Caminho. Em todo arquétipo do herói há uma missão a maior, algo que transcende o ego e cuja prática é o bem-maior da jornada.