O Caminho de Santiago é a porta interdimensional de uma busca existencial e por espiritualidade. Queremos ser aceitos e assim poder imergir na Psique do Caminho e dela atingir ao máximo daquilo que podemos nos desenvolver interiormente. Logo, queremos ser aceitos.
Assim, há algo de amor maior nesta aceitação arquetípica.
Não se trata de um amor romântico, entre duas pessoas. É uma forma de amor que
vai muito além. Para Jung, seria uma forma arquetípica “Ágape” de amar.
O amor “Ágape” é um afeto superior, sublime, sereno, que se
materializa sem esperar nada em troca, pois é sua conexão espiritual é a
característica maior. Não há dualidade no amor “Ágape”, ama-se por amar, faz-se algo
sem esperar nada em troca, apenas em razão de poder daquela experiência
participar ativamente.
Talvez seja isso o que todos esperamos ao imergir na Psique
do Caminho de Santiago: sermos amorosamente aceitos, sem que se queira nada em
troca, receber essa conexão espiritual com todo o acolhimento.
Porém, enquanto amor maior, atingir o nível vibracional do “Ágape”
depende da sua capacidade de ressonância a ele. De certa forma, de produzir ações
para assim também ressonar e poder a tal nível se qualificar.
Ou seja, só quanto você é também capaz de amar
incondicionalmente, doar-se, abnegar-se em amor aos demais, terá condições de promover
sua conexão a tal nível de aprofundamento à Psique do Caminho.
O caminho de fazer o amor “Ágape” florescer em sua psique
está em assim conceder decididamente tal feito. O instrumento de sua materialização
é a caridade. Queira você partir de suas convicções religiosas,
espirituais ou apenas o desejo individual de atingir a essência de sua psique,
a caridade é o meio ideal de evocar a conexão com a egrégora do amor “Ágape”.
Se o chamado do Caminho parece a você algo claro, deves começar
pela caridade a sua preparação à futura jornada. Doe-se de sua maneira, dentro
de suas possibilidades, dentro de suas condições atuais. Comece do básico, por exemplo, torne-se um doador de sangue.
Isto não custa nada e pode ser feito a todos que tem os requisitos sanitários mínimos
exigidos.
Se não pode doar sangue, doe alimentos ou doe seu tempo em
alguma atividade voluntária. Colabore de alguma forma para o melhor em sua
comunidade, sem pedir nada em troca, sem colocar exigências de seu ego.
Seja humilde, não espere reconhecimento, faça em sigilo, em comedimento,
não brade suas ações para receber consideração social. Apenas faça, ajude, assista. Essa é a chave inicial de acesso a quem recebeu o chamado e
deseja desde já sentir tal experiência, imergir em sua psique e adentrar à Ordem
do Caminho. Em todo arquétipo do herói há uma missão a maior, algo que transcende
o ego e cuja prática é o bem-maior da jornada.